Gonçalo Anes do Vinhal


 Pero d'Ambroa, sempr' cantar
que nunca vós andastes sobr'o mar
que med'houvéssedes, nulha sazom;
e que havedes tam gram coraçom,
5que tanto dades que bom tempo faça
bem como mao nem como bõaça
       nem dades rem por tormenta do mar.
  
 E des i, já pola nave quebrar,
aqui nom dades vós rem polo mar
 10come os outros que i vam entom;
  por en têm que tamanho perdom
nom havedes come os que na frota
vam, e se deitam, com medo, na sota,
        sol que entendem tormenta do mar.
  
15E nunca oímos doutr'home falar
que nom temesse mal tempo do mar;
e por en cuidam quantos aqui som
que vossa madre com algum caçom
vos fez, sem falha, ou com lobaganto;
20e todos esto cuidamos, por quanto
       nom dades rem por tormenta do mar.



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Nota geral:

Chacota ao segrel Pero d´Ambroa que deverá ter como motivo a sua alegada peregrinação à Terra Santa, que serviu de mote a uma série de cantigas dos trovadores e jograis afonsinos, todos pondo em dúvida essa grande viagem, que não teria passado de Montpellier. Gonçalo Eanes do Vinhal é um dos céticos: aqui, ironicamente, e com imagens muito sugestivas, sugere que a verdadeira causa do regresso teria sido o medo das tempestades marítimas.
É possível, no entanto, que esta, como as restantes composições deste ciclo, tivessem um contexto político mais alargado, como discutimos Nota Geral à cantiga de Pedr´Amigo de Sevilha.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras uníssonas (rima c singular)
Palavra(s)-rima: (v. 2 de cada estrofe)
mar
(Saber mais)


Fontes manuscritas

V 1004

Cancioneiro da Vaticana - V 1004


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas