Pero de Armea


Muitos me vêm preguntar,
senhor, que lhis diga eu quem
est a dona que quero bem;
e com pavor de vos pesar
5       nom lhis ouso dizer per rem,
       senhor, que vos eu quero bem.
  
Pero punham de m'apartar,
se poderám de mi saber
por qual dona quer'eu morrer;
10e eu, por vos nom assanhar,
       nom lhis ouso dizer per rem,
       senhor, que vos eu quero bem.
  
E porque me veem chorar
d'amor, querem saber de mi
15por qual dona moir'eu assi;
e eu, senhor, por vos negar,
       nom lhis ouso dizer por mi
       per rem que por vós moir'assi.



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Nota geral:

A cantiga desenvolve um dos temas tópicos do género, o segredo quanto à identidade da amada. Assim, o poeta garante à sua senhora que, se todos lhe perguntam insistentemente quem ela é (chegando mesmo a chamá-lo à parte para o interrogarem), ele nada lhes revela, com medo de a desgostar.
A cantiga tem a singularidade de, na última estrofe, o refrão apresentar uma variação. Podendo eventualmente estar correta a versão dos manuscritos, também não é impossível, atendendo ao esquema rimático das estrofes, que o refrão de segunda fosse também diferente, neste caso com rima er (qualquer coisa como: nom lhis ouso per rem dizer/ senhor, que vos hei bem querer). O facto de, nesta estrofe, os manuscritos transcreverem, como habitualmente, apenas as primeiras palavras do refrão não nos permite certezas (se bem que dizer seja a última palavra transcrita).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras rima a uníssona, rima b singular
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Fontes manuscritas

B 1085, V 677

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1085

Cancioneiro da Vaticana - V 677


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas