Pero de Ornelas


Havedes vós, amiga, guisado
 de falar vosc'hoj'o meu amigo,
que vem aqui, e bem vo-lo [digo],
por falar vosc', e traz-vos recado
5       de rog', amiga, do voss'amigo:
       que façades o meu falar migo.
  
E u eu moro já el nom mora,
 ca lhe defendi que nom morasse
  i, e por en catou quem rogasse,
10e recado sei que vos traz ora
       de rog', amiga, do voss'amigo
       que façades o meu falar migo.
  
 Gram sazom há que meu bem demanda
e nunca pôde comigo falar,
15e vem ora voss’amigo rogar,
e com recado sei que vos anda
       de rog', amiga, do voss'amigo
       que façades o meu falar migo.



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Nota geral:

A cantiga alude a conversas e pedidos trocados entre pares de namorados, num esquema assaz complexo, o que, no caso, parece claramente voluntário. Poderíamos talvez resumi-los assim: a moça sabe que o seu amigo se vai encontrar com esta sua amiga (a quem se dirige), sendo portador de uma mensagem do namorado desta última no sentido de ela convencer a moça a ouvi-lo (uma vez que o proibiu de morar perto dela e de lhe falar). Ou seja, por outras palavras, a cantiga põe em cena dois pares de namorados que se conhecem entre si: um par que se dá bem (a amiga da moça e respetivo namorado) e que se dispõe a ajudar o outro par que se dá menos bem (a moça e o namorado).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 780, V 363/364
(C 780)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 780

Cancioneiro da Vaticana - V 363/364


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas