Gonçalo Anes do Vinhal


 Que leda que hoj'eu sejo
porque m'enviou dizer
ca nom vem, com gram desejo,
coitado, d'u foi viver,
5       ai dona, lo meu amigo
       senom por falar comigo;
       nem vem por al meu amigo
       senom por falar comigo.
  
Enviou-mi seu mandado
10dizer (qual eu creo bem)
ca nom vem por al, coitado,
de tam longi com'el vem,
       ai dona, lo meu amigo
       senom por falar comigo;
15       nem vem por al meu amigo
       senom por falar comigo.
  
 Nulha coita nom havia
(tanto creede per mi)
  outra, nem el nom vĩia
20- mais por que verria aqui
       ai dona, lo meu amigo
       senom por falar comigo?
       Nem vem por al meu amigo
       senom por falar comigo.



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Nota geral:

Dirigindo-se a uma dona não identificada, a donzela alegra-se com a notícia que lhe enviou o seu amigo, a de que virá de longe apenas para a ver. Note-se, de qualquer forma, o modo como o trovador joga habilmente com a expetativa do ouvinte/leitor, já que em todas as estrofes a forma do verbo vir é sempre negativa (não vem/vinha), e só no refrão o seu sentido se completa, desfazendo o aparente paradoxo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 706, V 307
(C 706)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 706

Cancioneiro da Vaticana - V 307


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas