Pero de Armea


Meus amigos, quero-vos eu dizer,
se vós quiserdes, qual coita mi vem:
 vem-mi tal coita que perço meu sem
por quanto vos ora quero dizer:
5por ũa dona, que por meu mal vi,
mui fremosa, e de que me parti
mui[to] d'anvidos e sem meu prazer.
  
Perço meu sem, que sol nom hei poder
 em mi, de pram, desejando seu bem;
10e de mais, se mi quer falar alguém,
de lhi falar nom hei em mim poder;
porque me nembra quanto a servi
 e quam viçoso [fui], mentr'i guari,
e que gram viç'a mi fez Deus perder.
  
15Moir'eu e praz-mi muito de morrer,
 ca vivo coitado mais doutra rem;
e, pero moiro, nom vos direi quem
est a dona que m'assi faz morrer
e a que eu quero melhor ca mi
20e a que eu por meu mal conhoci,
u mi a Deus fez primeiro veer.
  
E, meus amigos, pois eu moir'assi
pola melhor dona de quantas vi,
nom tem'eu rem mia morte, nem morrer.



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Nota geral:

Dirigindo-se aos seus amigos, o poeta pede-lhes para ouvirem o seu desabafo: morre de amores por uma senhora da qual, muito contrariado, teve de se afastar. Louco e morrendo de desejo, não consegue falar com ninguém que o aborde, pois só se lembra da felicidade que sentia quando estava perto dela. E embora sinta a morte próxima, nunca dirá quem ela é. De resto, sendo ela a melhor das donas, esta morte não a teme.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Dobre: (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
dizer (I), poder (II), morrer (III)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1089, V 680

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1089

Cancioneiro da Vaticana - V 680


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas