João Soares Somesso


Nom me poss'eu, senhor, salvar
que muito bem nom desejei
haver de vós; mais salvar-m'-ei
 que nom cuidei end'acabar
5mais do que vos quero dizer:
cuidei-vos, senhor, a veer.
Atanto bem houve em cuidar!
  
 E dig'esto por me guardar
d'ũa cousa que vos direi:
10nem cuidedes que al cuidei
de vós, mia senhor, a gãar,
senom que podesse viver
na terra vosc'; e Deus poder
me leix'haver d'i sempr'estar.
  
15E dê-me poder de negar
sempr'a mui gram coita que hei
por vós aas gentes que sei
que punham em adevinhar
fazenda d'hom', ena saber.
20E os que esto vam fazer,
 Deu'los leix'ende mal achar.
  
E Deu'los leix'assi ficar
com'eu, senhor, sem vós fiquei,
u vos vi ir, e nom ousei
25ir convosco, e de pesar
houvera por end'a morrer:
 tam grave me foi de sofrer
de m'haver de vós a quitar!



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Nota geral:

Nitidamente na sequência da cantiga anterior, o trovador diz agora à sua senhora que, não podendo negar que imaginou receber dela um grande bem, pode garantir que em nada mais pensava senão em poder vê-la. Apenas isso desejava alcançar e nada mais. De resto, ele pede a Deus (na 3ª estrofe e seguinte) que lhe dê o poder de continuar a esconder o seu amor dos bisbilhoteiros, os que se dedicam a adivinhar a vida dos outros. E que os faça sofrer tanto como ele sofreu quando a viu partir e não ousou acompanhá-la.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 17, B 110

Cancioneiro da Ajuda - A 17

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 110


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas