João Lopes de Ulhoa


Ai Deus, u é meu amigo,
que nom m'envia mandado?
 Ca preit'havia comigo,
ergo se fosse coitado
5       de morte, que se veesse
       o mais cedo que podesse.
  
Quando s'el de mi partia
chorando fez-mi tal preito,
e disse quand'e qual dia,
10ergo se fosse maltreito
       de morte, que se veesse
       o mais cedo que podesse.
  
E já o praz'é passado
que m'el disse que verria,
15e que mi havia jurado,
sem gram coita, todavia,
       de morte, que se veesse
       o mais cedo que podesse.
  
E se eu end'al soubesse,
20que nunca lhi bem quisesse.



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Nota geral:

A donzela inquieta-se: onde estará o seu amigo? É que ele jurou-lhe que voltaria o mais cedo que pudesse, salvo se estivesse muito ferido ou a morrer. E marcou-lhe mesmo o dia e a hora, prazos que já passaram, dizendo-lhe também que, se ela soubesse que ele não cumpria o prometido por outros motivos, tinha o direito de deixar de gostar dele.
As cantigas de amigo seguintes do trovador retomam o tema, pelo que é possível que formassem, em conjunto, um único ciclo



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 696, V 297

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 696

Cancioneiro da Vaticana - V 297


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas