Vasco Gil


Que sem mesura Deus é contra mi!
Pois que me faz sempre pesar veer,
por que me leixa no mundo viver?
Mais pois me vejo que x'El quer assi,
5       quant'eu oimais no coraçom tever,
       negá-lo-ei e direi-Lh'al que quer!
  
E quant'El sabe que me pesará,
poilo El faz por xe me mal fazer
e por al nom, quero-vos eu dizer,
 10se eu puder, o que Lh'end'averrá:
       quant'eu oimais no coraçom tever,
       negá-lo-ei e direi-Lh'al que quer!
  
 E des oimais nom pode El saber rem
de mia fazenda, se nom devinhar,
15pois El assi quer migo guerreiar!
Mais vedes que vo-Lh'eu farei por en:
       quanto eu oimais no coraçom tever,
       negá-lo-ei e direi-Lh'al que quer!



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Nota geral:

Esta composição faz parte do curioso conjunto de cantigas nas quais os trovadores disputam com Deus, geralmente acusando-o de os fazer injustamente sofrer de amor. Aqui, e como represália, Vasco Gil promete passar a mentir-lhe sobre os seus verdadeiros sentimentos - se os quiser saber, terá de os adivinhar.
Não sendo exatamente esta uma cantiga de escárnio e maldizer, também é certo que não se trata de uma cantiga de amor, pelo que teremos de considerar o seu género incerto.



Nota geral


Descrição

Género incerto
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

A 146, B 269

Cancioneiro da Ajuda - A 146

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 269


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas