Juião Bolseiro


Fui hoj'eu, madre, veer meu amigo,
que envio[u] muito rogar por en,
porque sei eu ca mi quer mui gram bem;
mais vedes, madre, pois m'el vio consigo,
 5       foi el tam ledo que, des que naci,
       nunca tam led'home com molher vi.
  
Quand'eu cheguei, estava el chorando
e nom folgava o seu coraçom,
cuidand'em mi, se iria, se nom,
10mais, pois m'el viu, u m'el estava asperando,
       foi el tam ledo que, des que naci,
       nunca tam led'home com molher vi.
  
E, pois Deus quis que eu fosse u m'el visse,
diss'el, mia madre, como vos direi:
15"Vej'eu viir quanto bem no mund'hei";
e vedes, madre, quand'el esto disse,
       foi tam ledo que, des que eu naci,
       nunca tam led'home com molher vi.



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Nota geral:

Tendo ido falar com o seu amigo, tal como ele lhe tinha pedido, a donzela relata à mãe a alegria que manifestamente ele sentiu ao vê-la. Pois, na verdade, ansioso e duvidando que ela viesse, até o encontrou a chorar. Mas quando a viu chegar, ficou de tal maneira contente que nunca ela tinha visto ninguém assim. Uma alegria que se exprimiu em doces palavras que a donzela faz questão em repetir.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1167, V 773

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1167

Cancioneiro da Vaticana - V 773


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas