João Airas de Santiago


 O meu amigo, que xi m'assanhou
e que nom quer já comigo falar,
se cuidou el que o foss'eu rogar,
se lh'eu souber que o assi cuidou,
5       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.
  
E pois que o meu amigo souber
 que lh'esto farei, nom atenderá
que o eu rogue, mais logo verrá
10el rogar a mi e, se end'al fezer,
       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.
  
Nem haverá meu amigo poder
de nulha sanha filhar contra mi
 15mais que eu nom quiser que seja assi,
ca, se doutra guisa quiser fazer,
       farei que em tal coita o tenha
       por mi amor que rogar me venha.
  



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Nota geral:

Se o seu amigo se zangou com ela e já não lhe quer falar, não pense ele, jura a donzela, que ela lhe vá pedir o que quer que seja - a sua intenção é antes fazê-lo sofrer de tal maneira que será ele a vir-lhe pedir.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 1014, V 604

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1014

Cancioneiro da Vaticana - V 604


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas