João Airas de Santiago


O que soía, mia filha, morrer
por vós, dizem que já nom morr'assi,
e moir'eu, filha, porque o ;
mais, se o queredes veer morrer,
5       dizede que morre por vós alguém
       e veredes home morrer por en.
  
O que morria, mia filha, por vós
como nunca vi morrer por molher
home no mundo, já morrer nom quer,
10mais, se queredes que moira por vós,
       dizede que morre por vós alguém
       e veredes home morrer por en.
  
O que morria, mia filha, d'amor
por vós nom morre nem quer i cuidar,
15e moir'end'eu, mia filha, com pesar,
mais, se queredes que moira d'amor,
       dizede que morre por vós alguém
       e veredes home morrer por en.
  
Ca, se souber que por vós morr'alguém,
20morrerá, filha, querendo-vos bem.



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Nota geral:

Ouvindo dizer que o amigo da sua filha já não morre por ela como jurava morrer, coisa que muito a entristece, a mãe indica-lhe a estratégia a seguir: fazer-lhe constar que um outro morre por ela. Neste jogo de ciúmes, o amigo decerto retomará a antiga paixão.
Note-se a circunstância curiosa, e que possivelmente será tudo menos fortuita, de as palavras sobre as quais recai o dobre (vv. 1 e 4 de cada estrofe), formarem, em conjunto, uma frase com sentido: morrer (I) por vós (II) d´amor (III). Uma frase que parece funcionar como uma mensagem subliminar da voz masculina a desdizer tudo aquilo que a mãe da donzela aqui lhe diz.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Dobre: (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
morrer (I), por vós (II), d'amor (III)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

V 595

Cancioneiro da Vaticana - V 595


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas