Pero Gomes Barroso
Trovador medieval


Nacionalidade: Portuguesa

Notas biográficas:

Trovador português, ativo por volta da segunda metade do século XIII. Filho bastardo de D. Gomes Viegas, senhor de Basto, o Nobiliário do Conde D. Pedro acrescenta ao seu nome a indicação que valeu mais que os outros irmãos (30A3), repetindo, um pouco mais à frente, que foi mui bom e honrado (30AJ4), assinalando, desta forma, o que parece ter sido o seu percurso social de ascensão, que se desenrolou essencialmente, de resto, na corte castelhana.
Na verdade, nascido provavelmente entre 1220 e 1225, Pero Gomes Barroso cedo sai de Portugal, provavelmente na década de 40 e no contexto da guerra civil que conduziu à deposição de D. Sancho II, fixando-se em Castela, onde parece ter vivido o resto dos seus dias, e onde casou com Chamoa Fernandes de Azevedo, filha de um outro exilado português a viver em Toledo, Fernão Peres de Azevedo. Participou na conquista de Sevilha (1248), sendo beneficiado no seu Repartimento, e também na campanha de Múrcia, recebendo casas na cidade, em doação do infante D. Manuel (1266, doação confirmada por Afonso X em 1272), figurando igualmente no repartimento de Orihuela (1268-1272). Comprovando o seu peso político crescente na corte castelhana, em 1273, num dos momentos mais críticos do reinado do Rei Sábio, D. Pedro Barroso desempenha a delicada função de intermediário entre o monarca e os nobres rebeldes, aliados ao rei de Granada. Num trabalho recente, José António Souto Cabo1 refere ainda que um filho e uma filha do trovador casaram com, respetivamente, uma irmã e um irmão do clérigo trovador D. Gomes Garcia, "o que deixa transparecer a grande proximidade que existiu entre as linhagens dos Barrosos e dos Souto Maior".
Quanto aos anos finais do seu percurso, Torres Fontes2 cita um documento do infante D. Sancho, datado de 1283, confirmando a renúncia do seu filho Fernando e seus irmãos à propriedade de uns bens em Múrcia, em favor do bispado de Cartagena, como compensação pelo não pagamento continuado do censo devido - o que parece indicar que o trovador havia já falecido nesse ano. Entretanto, Ron Fernández3 localizou um outro documento, datado de 1296, pelo qual ficamos a saber que, à data, o rei Jaime II de Aragão doa a um seu vassalo uma quinta em Orihuela que tinha confiscado a um Pedro Gomes Barroso, "castelhano", na sequência de uma sua rebelião. Não tendo sido ainda possível apurar o contexto deste documento, o mais provável é que se trate de um familiar homónimo (até porque o documento especifica a sua qualidade de "castelhano"). Note-se que um neto homónimo do trovador, citado num documento de Sancho IV de 1293 como um clérigo muito competente, acabou mais tarde por ser brevemente bispo de Cartagena (1326-127) e, depois de renunciar ao cargo, cardeal e legado pontifício.


Referências

1 Souto Cabo, José António (2023), “Ca o vej’eu assaz om’ordinhado. Airas Nunes no “coro” clerical trovadoresco”, en Madrygal. Revista de Estudios Gallegos 26.
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2 Torres Fontes, Juan (1960), La cultura murciana el en reinado de Alfonso X, Murcia.
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3 Ron Fernández, Xavier (2005), “Carolina Michaelis e os trobadores representados no Cancioneiro da Ajuda”, in Carolina Michaelis e o Cancioneira da Ajuda hoxe, Santiago de Compostela, Xunta de Galicia.
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Cantigas (por ordem alfabética):


Amiga, quero-vos eu já dizer
Cantiga de Amigo

Chegou aqui Dom Foam e veo mui bem guisado
Cantiga de Escárnio e maldizer

Direi verdade, se Deus mi perdom
Cantiga de Amigo

Do que sabia nulha rem nom sei
Sirventês moral

Meu senhor, direi-vos ora:
Cantiga de Escárnio e maldizer

Moir'eu aqui d'adessoriam
Cantiga de Escárnio e maldizer

O meu amigo que é com el-rei
Cantiga de Amigo

Pero d'Ambroa, se Deus mi perdom
Cantiga de Escárnio e maldizer

Pero Lourenço, comprastes
Cantiga de Escárnio e maldizer

Por Deus, senhor, tam gram sazom
Cantiga de Amor

Quand'eu, mia senhor, convosco falei
Cantiga de Amor

Sei eu um ric'home, se Deus mi pardom
Cantiga de Escárnio e maldizer

Um ric'home que hoj'eu sei
Cantiga de Escárnio e maldizer