Nuno Trez - Todas as cantigas

Ver com anotações <


Cancioneiros:

B 1200, V 805
(C 1200)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Des quando vos fostes daqui,
meu amigo, sem meu prazer,
houv'eu tam gram coita des i
qual vos ora quero dizer:
5       que nom fezerom des entom
       os meus olhos, se chorar nom,
       nem ar quis o meu coraçom
       que fezessem, se chorar nom.
  
E des que m'eu sem vós achei,
10sol nom me soub'i conselhar
e mui triste por en fiquei
e com coita grand'e pesar,
       que nom fezerom des entom
       os meus olhos, se chorar nom,
15       nem ar quis o meu coraçom
       que fezessem, se chorar nom.
  
E fui eu fazer oraçom
a Sam Clemenç'e nom vos vi
e bem des aquela sazom,
20meu amigo, avẽo-m'assi:
       que nom fezerom des entom
       os meus olhos, se chorar nom,
       nem ar quis o meu coraçom
       que fezessem, se chorar nom.


Ver com anotações <


Cancioneiros:

B 1201, V 806

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão e Paralelística

Sam Clemenço do mar,
se mi del nom vingar,
       nom dormirei.
  
Sam Clemenço senhor,
5se vingada nom for,
       nom dormirei.
  
[Se mi del nom vingar
do fals'e desleal,
       nom dormirei.]
  
10Se vingada nom for
do fals'e traedor,
       nom dormirei.


Ver com anotações <


Cancioneiros:

B 1202, V 807

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão e Paralelística

Nom vou eu a Sam Clemenço orar, e faço gram razom,
ca el nom mi tolhe a coita que trago no meu coraçom,
       nem mi aduz o meu amigo,
       pero lho rog'e lho digo.
  
5Nom vou eu a Sam Clemenço, nem el nom se nembra de mim,
nem mi aduz o meu amigo, que sempr'amei des que o vi,
       nem mi aduz o meu amigo,
       pero lho rog'e lho digo.
  
Ca se el m[i] adussesse o que me faz pẽad'andar,
10nunca tantos estadaes arderam ant'o seu altar,
       nem mi aduz o meu amigo,
       pero lho rog'e lho digo.
  
Ca se el m[i] adussesse o por que eu moiro d'amor,
nunca tantos estadaes arderam ant'o meu senhor,
15       nem mi aduz o meu amigo,
       pero lho rog'e lho digo.
  
Pois eu e[m] mia vontade de o nom veer som bem fiz,
que porrei, par caridade, ant'el candeas de Paris?
       Nem mi aduz o meu amigo,
20       pero lho rog'e lho digo.
  
Em mi tolher meu amigo filhou comigo perfia,
por end'arderá, vos digo, ant'el lume de bogia,
       nem mi aduz o meu amigo,
       pero lho rog'e lho digo.


Ver com anotações <


Cancioneiros:

B 1203, V 808

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão e Paralelística

Estava-m'em Sam Clemenço, u fora fazer oraçom,
e disse-mi o mandadeiro, que mi prougue de coraçom:
       "Agora verrá aqui voss'amigo".
  
Estava-[m'] em Sam Clemenço, u fora candeas queimar,
5e disse-mi o mandadeiro: "Fremosa de bom semelhar,
       agora verrá aqui voss'amigo".
  
Estava-m'em Sam Clemenço, u fora oraçom fazer,
e disse-mi o mandadeiro: "Fremosa de bom parecer,
       agora verrá aqui voss'amigo".
  
10E disse-mi o mandadeiro: "Fremosa de bom semelhar,"
porque viu que mi prazia, ar começou-m[e] a falar,
       "agora verrá aqui voss'amigo".
  
E disse-mi o mandadeiro: "Fremosa de bom parecer,"
porque viu que mi prazia, ar começou-[me] a dizer,
15       "agora verrá aqui voss'amigo".
  
E disse-mi o mandadeiro, que mi prougue de coraçom,
porque viu que mi prazia, ar disse-mi outra vez entom:
       "Agora verrá aqui voss'amigo".