Martim

Rubrica:

Esta cantiga fez Martim [Afonso Mar...?]


De Martim Moia posfaçam as gentes
e dizem-lhe por mal que é casado;
nom lho dizem senom os maldizentes,
 ca o vej'eu assaz hom'ordinhado
5e moi gram capa de coro trager;
e os que lhe mal buscam por foder,
 nom lhe vam já mear o seu pecado.
  
E posfaça del a gente sandia
e non'o fazem senom com meíça,
10ca o vej'eu no coro cada dia
vestir [i] capa e sobrepeliça;
 e moito faça el i, moi melhor
diz: se por foder ele é pecador,
nom ham eles i a fazer justiça.



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Nota geral:

Esta curiosa cantiga, dirigida ao trovador Martim Moxa, e criticando ironicamente a sua vida desregrada, tem sido lida como um auto-escárnio (e uma auto-defesa irónica), já que a leitura que tem sido feita da rubrica (Esta cantiga fez Martim a si mesmo) parecia indicar que, de facto, o seu autor seria o próprio Martim Moxa. No entanto, a leitura desta rubrica é tudo menos evidente, sobretudo nos termos que seguem o nome Martim, onde não seria impossível ler um sobrenome. De facto, não seria caso único nos Cancioneiros os compiladores terem acoplado às trovas de um trovador umas trovas a ele dirigidas. É o que acontece, por exemplo, com a cantiga que o jogral Aº Gomes dedica ao próprio Martim Moxa, com acusações muito semelhantes a estas e que antecede algumas cantigas do trovador, ou com a cantiga que João Romeu do Lugo fez a D. Lopo Lias e que vem no final das cantigas deste trovador. Um caso semelhante poderia, pois, acontecer aqui (o nome do jogral ou trovador podendo talvez ser Martim Afonso). No entanto, a leitura autobiográfica, ainda que um pouco estranha, talvez seja igualmente possível.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 917, V 504
(C 917)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 917

Cancioneiro da Vaticana - V 504


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas