João Garcia de Guilhade


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Vistes, mias donas: quando noutro dia
o meu amigo conmigo falou,
foi mui queixos', e pero se queixou,
dei-lh'eu entom a cinta que tragia,
5mais el demanda-m'[or']outra folia.
  
E vistes (que nunca que m’eu tal visse!):
por s'ir queixar, mias donas, tam sem guisa,
fez-mi tirar a corda da camisa,
e dei-lh'eu dela bem quanta m'el disse,
  10mais el demanda-mi al - quen'o ferisse!
  
Sempr'haverá dom Joam de Guilhade,
 mentr'el quiser, amigas, das mias dõas,
ca já m'end'el muitas deu e mui bõas;
des i terrei-lhi sempre lealdade,
15mais el demanda-m'outra torpidade.



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Nota geral:

Dirigindo-se a uma assembleia de donas (mulheres casadas), a donzela mostra-se escandalizada: não contente com as prendas que ela lhe deu dias antes, e por mera compaixão (a cinta, e logo depois a corda da camisa), o seu amigo pede-lhe agora coisas bem mais loucas e indecentes. Um amigo cujo nome novamente ela refere: o próprio trovador, João Garcia de Guilhade (uma referência comum ao grupo de cantigas de amigo auto-referenciais, indicadas aqui).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 746, V 348

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 746

Cancioneiro da Vaticana - V 348


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

…E pede-me agora o que não devia      versão audio disponível

Versão de Fontes Rocha, Amália Rodrigues