Nuno Fernandes Torneol


Que prol vos há 'vós, mia senhor,
de me tam muito mal fazer,
pois eu nom sei al bem querer
no mundo, nem hei d'al sabor?
5       Dizede-me, que prol vos há?
  
E que prol vos há de fazer
tam muito mal a quem voss'é?
Nom vos há prol, per bõa fé!
E mia senhor, se eu morrer,
10       dizede-me, que prol vos há?
  
[E] que prol vos há d'eu estar
sempre por vós em grand'afã?
 (e éste mui grande, de pram).
E pois mi o voss'amor matar,
15       dizede-me, que prol vos há?
  
E vós, lume dos olhos meus,
oir-vos-edes maldizer
por mim, se eu por vós morrer.
E senhor, por amor de Deus,
20       dizede-me, que prol vos há?



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Nota geral:

O trovador pergunta repetidamente à sua senhora que proveito tira ela do mal que lhe faz e de o manter em ânsia e sofrimento permanentes. Não tira qualquer proveito da sua atitude. Pelo contrário: se ele morrer, será mesmo criticada por isso.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 74, B 187

Cancioneiro da Ajuda - A 74

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 187


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas