Osoiro Anes


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Cuidei eu de meu coraçom
que me nom podesse forçar,
pois me sacara de prisom,
e d'ir comego i tornar!
5E forçou-m'ora nov'amor,
e forçou-me nova senhor;
e cuido ca me quer matar.
  
E pois me assi desemparar
ũa senhor foi, des entom
10e[u] cuidei bem per rem que nom
podesse mais outra cobrar.
Mais forçarom-mi os olhos meus
e o bom parecer dos seus
e o seu preç'e um cantar
  
 15que lh', u a vi estar
em cabelos, dizend'um som.
Mal dia nom morri entom,
 ante que tal coita levar
qual levo, que nom vi maior
 20[nunca], ond'estou a pavor
de mort[e], ou de lho mostrar!



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Nota geral:

O trovador pensava que estava já livre da prisão do amor, pois uma senhora o tinha profundamente magoado. Mas voltou a estar prisioneiro, forçado por um novo amor e por uma dama de formosos olhos que viu, de cabelos soltos e descobertos, cantando uma canção. E termina amaldiçoando esse dia funesto, pois desde então vive dominado por dois medos: o de morrer e o de lhe confessar o seu amor.
Como na cantiga anterior, também aqui o modelo que o trovador segue será o da chanson de change provençal, um tópico raro na lírica galego-portuguesa.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 39bis

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 39bis


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas