Pero Viviães - Todas as cantigas

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Cancioneiros:

B 447
(C 447)

Descrição:

Cantiga de Amor

Refrão

Ũa dona de que falar oí
desej'a veer e nom posso guarir
sen'a veer; e sei que, se a vir,
u a nom vir, cuid'a morrer log'i;
5       pois que a vir, u a nom vir, prazer
       de mi nem d'al nunca cuid'a veer.
  
A que nom vi [e] m'em tal coita tem,
sol que a vir, u a nom vir, morrerei;
pois que a vir, u a nom vir, nom sei
10rem que me guarde de morte por en;
       pois que a vir, u a nom vir, prazer
       de mi nem d'al nunca cuid'a veer.
  
A que nom vi e mi assi vai matar,
sol que a vir, u a [nom] vir, matar-m'-á;
15pois que a vir, u a nom vir, nom há
rem que me possa de morte guardar;
       pois que a vir, u a nom vir, prazer
       de mi nem d'al nunca cuid'a veer.


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Cancioneiros:

B 448

Descrição:

Cantiga de Amor

Refrão

A Lobatom quer'eu ir,
ai Deus, e tu me guia!
que visse'hoj'eu por meu bem
a que veer queria:
5a que parece melhor
de quantas Nostro Senhor
Deus fez é dona Joana;
       por que moir'eu pelo seu
       parecer que lhi Deus deu,
10       a esta [dona] louçana?
       Eu nõn'a vi, mais oí
       dela muito bem; pois i
       for, veerrei sa irmana.
  
A Lobatom quer'eu ir
15ca, u and'eu [ou] sejo,
sempre no meu coraçom
muito veer desejo
a senhor do melhor prez
de quantas Deus nunca fez:
20esta é dona Joana;
       por que moir'eu pelo seu
       parecer que lhi Deus deu,
       a esta [dona] louçana?
       Eu nõn'a vi, mais oí
25       dela muito bem; pois i
       for, veerrei sa irmana.
  
A Lobatom quer'eu ir,
ca nom perço cuida'do
coraçom, em guisa tal
30que me trax aficado
pola melhor das qu[e] sei,
que se a nom vir morrerei:
esta é dona Joana;
       por que moir'eu pelo seu
35       parecer que lhi Deus deu,
       a esta [dona] louçana?
       Eu nõn'a vi, mais oí
       dela muito bem; pois i
       for, veerrei sa irmana.


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Cancioneiros:

B 735, V 336
(C 735)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Pois nossas madres vam a Sam Simom
de Val de Prados candeas queimar,
nós, as meninhas, punhemos d'andar
com nossas madres, e elas entom
5       queimem candeas por nós e por si,
       e nós, meninhas, bailaremos i.
  
Nossos amigos todos lá irám
por nos veer e andaremos nós
bailand'ant'eles fremosas em cós;
10e nossas madres, pois que alá vam,
       queimem candeas por nós e por si.
       e nós, meninhas, bailaremos i.
  
Nossos amigos irám por cousir
como bailamos e podem veer
15bailar [i] moças de bom parecer;
e nossas madres, pois lá querem ir,
       queimem candeas por nós e por si,
       e nós, meninhas, bailaremos i.


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Cancioneiros:

B 736, V 337

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão, Dialogada

- Por Deus, amiga, punhad'em partir
o meu amigo de mi querer bem.
- Nom mi o digades, ca vos nom val rem,
nem mi mandedes a ess'alá ir,
5       ca tanta prol mi tem de lhi falar,
       per boa fé, come de me calar.
  
- Dizede-lh'ora que se parta já
do meu amor, onde sempr'houve mal.
- Leixemos ess'e falemos em al;
10muito cofonda Deus quem lho dirá,
       ca tanta prol mi tem de lhi falar,
       per boa fé, come de me calar.
  
- Dizede-lh'ora que nom pod'haver
nunca meu bem e que nom cuid'i sol.
15- Nom mi o digades, ca vos nom tem prol;
cofonda Deus a que lho vai dizer,
       ca tanta prol mi tem de lhi falar,
       per boa fé, come de me calar.


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Cancioneiros:

B 1616bis, V 1149bis

Descrição:

Cantiga de Escárnio e Maldizer

Mestria

[...]
  
E pero Deus há gram poder,
non'o pode tant'ajudar,
que o peior possa tornar;
5pero bem sei que há poder
de dar grand'alg'a Dom Foam,
mais del seer peior, de pram,
do que é já, nom há en poder.
  
Pero lhi queira fazer Deus
10dez tanto bem do que lhi fez,
já nunca pode peior prez
haver per rem. Por en, por Deus,
como será peior que é
quem peior é, per bõa fé,
15de quantos fez nem fará Deus?


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Cancioneiros:

B 1617, V 1150
(C 1617)

Descrição:

Cantiga de Escárnio e Maldizer

Mestria

Marinha, ende folegares
tenh'eu por desaguisado;
e som mui maravilhado
de ti, por nom rebentares:
5ca che tapo eu [d]aquesta minha
boca a ta boca, Marinha;
e destes narizes meus
tapo eu, Marinha, os teus;
e das [mias]mãos as orelhas,
10os olhos, das sobrencelhas;
tapo-t'ao primeiro sono
da mia pissa o teu cono,
e mi o nom veja nengum,
e dos colhões [esse] cũ,
15Como nom rebentas Marinha?


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Cancioneiros:

B 1618, V 1151

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Refrão

Vós, que por Pero Tinhoso preguntades, se queredes
dele saber novas certas per mim, poilas nom sabedes,
achar-lh'-edes três sinaes per que o conhosceredes;
       mais esto que vos eu digo nom vo-lo sábia nengum:
5       aquel é Pero Tinhoso que traz o toutiço nũ
       e traz o câncer no pisso e o alvaraz no cũ.
  
Já me por Pero Tinhoso preguntastes noutro dia
que vos dissess'eu del novas, e entom non'as sabia,
mais por estes três sinaes quem quer o conhosceria;
10       mais esto que vos eu digo nom vo-lo sábia nengum:
       aquel é Pero Tinhoso que traz o toutiço nũ
       e traz o câncer no pisso e o alvaraz no cũ.
  
Vós, que por Pero Tinhoso mi andades preguntando
que vos dissess'eu del novas, novas vos quer'ir contando:
15achar-lh'-edes três sinaes, se lhos bem fordes catando,
       mais esto que vos eu digo nom vo-lo sábia nengum:
       aquel é Pero Tinhoso que traz o toutiço nũ
       e traz o cáncer no pisso e o alvaraz no cũ.


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Cancioneiros:

B 1619, V 1152
(C 1619)

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Mestria

Ũa donzela coitado
d'amor por si me faz andar;
e em sas feituras falar
quero eu, come namorado:
5rostr'agud'há come forom,
barva no queix'e no granhom
e o ventre grand'e inchado.
  
Sobrancelhas mesturadas,
grandes e mui cabeludas,
10sobre'los olhos merjudas;
e as tetas pendoradas
e mui grandes, per boa fé:
há um palm'e meio no pé
e no cós três polegadas.
  
15A testa tem [en]rugada
e os olhos encovados,
dentes pintos come dados
e a boca de passada.
Atal a fez Nostro Senhor:
20mui sem doit'e sem sabor,
des i mui tabr'e forçada.
  
Deve-m'a [...]


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Cancioneiros:

B 1620, V 1153
(C 1620)

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Mestria

Por Dom Foam em sa casa comer
quer bem quer mal, que há i d'adubar?
Quem mal com el nem bem nom sol jantar
e del bem diz nem mal, faz sou prazer:
5pois mal nem bem com el nunca comeu,
e del bem diz nem mal, muit'é sandeu
d'ir mal nem bem de seu jantar dizer.
  
Por em sa casa comer com'el quer,
quer bem quer mal, que há d'adubar i?
10Quem mal nem bem com el nom com'assi
e del bem diz nem mal, nom lh'é mester:
pois mal nem bem com el nom comeu sol,
e del bem nem mal diz, tenh'eu por fol,
se mal nem bem de seu jantar disser.
  
15Por el comer em sa casa, tenh'eu,
quer bem quer mal, que gram torpidad'é
quem bem nem mal del diz, per bõa fé:
pois bem nem mal nunca lh'i jantar deu,
nem mal nem bem nom er tem i de pram,
20e, mais que a bem, a mal lhe terrám
de bem nem mal dizer do jantar seu.
  
[S]'i em sa casa comer nom usou,
quer bem quer mal, assi como a el praz,
quem mal nem bem del diz, sandece faz:
25pois bem nem mal do jantar nom gastou,
nem bem nem mal d'adubar i nom há;
e, mais que [a] bem, a mal lhe salrá
de bem nem mal dizer, u i nom jantou.