D. Dinis


- Amigo, queredes-vos ir?
 - Si, mia senhor, ca nom poss'al
fazer, ca seria meu mal
e vosso; por end'a partir
5mi convém daqueste logar;
  mais que gram coita d'endurar
mi será, pois me sem vós vir!
  
- Amig', e de mim que será?
- Bem, senhor bõa e de prez;
10e, pois m'eu for daquesta vez,
o vosso mui bem se passará;
mais morte m'é de m'alongar
de vós e ir-m'alhur morar,
 mais pass'o voss'ũa vez já.
  
15- Amig', eu sem vós morrerei.
  - Nom querrá Deus esso, senhor;
mais, pois u vós fordes nom for,
o que morrerá eu serei;
mais quer'eu ant'o meu passar
20ca assi do voss'aventurar;
ca eu sem vós de morrer hei!
  
- Queredes-mi, amigo, matar?
- Nom, mia senhor; mais, por guardar
vós, mato-mi, que mi o busquei.



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Nota geral:

Interessante diálogo entre a donzela e o seu amigo, que vai partir. Percebe-se, no decorrer deste diálogo (onde ela o trata por amigo e ele por senhora), que ele parte para a proteger (proteger o seu bom nome), embora isso, segundo diz, seja para ele quase tão doloroso como a morte. Igualmente dolorosa será esta partida para a donzela, a quem o amigo tenta sossegar: vai correr tudo bem, a sua situação decerto melhorará.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria, dialogada
Cobras singulares (rima c uníssona)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 575/576, V 179
(C 575)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 575/576

Cancioneiro da Vaticana - V 179


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Amigo, queredes vos ir?      versão audio disponível

Versão de Paulina Ceremużyńska

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas