Afonso Fernandes Cebolhilha


Mui gram sabor havedes, mia senhor,
que nunca perca coita nem pesar
eu, que vos sei mais doutra rem amar,
pois nom queredes que fale no bem
5que vos Deus fez; ca nom posso perder
mui gram coita, pois nom ous'a dizer
o muito bem que vos Deus fez, senhor.
  
Ca, pois nom queredes vós, mia senhor,
que fale no bem que vos Deus quis dar,
10sempr'haverei muit'estranho d'andar
dos que ham de falar em algum bem;
ca, senhor, nom haveria poder,
quand'eu d'algum bem oísse dizer,
de nom falar no vosso bem, senhor.
  
15Ca tam muit'é o vosso bem, senhor,
que eu nom cuido, nem posso cuidar,
 que se podesse nulh'homem guardar,
que vos viss'e soubesse vosso bem,
que, se oísse em algũa sazom
20alguém falar em algum bem, que nom
....................................[senhor].



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Nota geral:

O trovador lamenta que a sua senhora não queira que ele fale dela e das suas qualidades e sofre com essa proibição: por um lado, por lhe custar ficar calado sobre ela quando ouve elogiar as qualidades de alguém (2ª estrofe); por outro lado (3ª estrofe), por ter a certeza que essas qualidades seriam reconhecidas por todos.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas (3ª estrofe irregular)
Palavra(s)-rima: (v. 4 de cada estrofe)
bem
(v. 6, apenas em I e II)
dizer
Dobre: (vv. 1 e 7 de cada estrofe)
senhor
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 405, V 16
(C 404)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 405

Cancioneiro da Vaticana - V 16


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas