Rui Queimado


Senhor fremosa, vejo-vos queixar
porque vos am'e amei, pois vos vi;
e pois vos desto queixades de mi,
se en dereito queredes filhar,
5       aque-m'aqui eno vosso poder!
  
Pois vos de mim nom queixades por al,
senom porque vos quero mui gram bem
– e vejo que vos queixades por en
senhor de mim e meu bem e meu mal,
10       aque-m'aqui eno vosso poder!
  
Senhor, se vós teedes por razom
 d'eu por aquestomorte prender,
nom hei eu que me de vós defender;
e por en, coita do meu coraçom,
15       aque-m'aqui eno vosso poder,
  
em que fui sempr'e hei já de seer.



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Nota geral:

Vendo a sua senhora queixar-se porque ele a ama e amou desde que a conheceu, o trovador diz-lhe que, se ela quiser fazer apelo à justiça, ele está ali à sua inteira disposição.
Note-se que a originalidade da cantiga assenta sobretudo no malicioso e bem conseguido equívoco que Rui Queimado constrói a partir do universo e vocabulário jurídicos, servindo-se das expressões "filhar direito" (apelar a um tribunal) e "em vosso poder" (estar prisioneiro) para expressar a submissão amorosa (sugerindo ainda que não teme julgamentos, pois está isento de culpa).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 138, B 259

Cancioneiro da Ajuda - A 138

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 259


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas