Pero Garcia Burgalês


Meus amigos, oimais quero dizer,
a quantos me veerem preguntar,
qual est a dona que me faz morrer,
ca nom hei já por que o recear;
5e saberám qual dona quero bem;
direi-a já, ca sei que nulha rem
nom hei por en, mais ca perç', a perder.
  
E que mais hei, do que perç', a perder?
 O corpo perç'e, quant'é meu cuidar,
10nom há i mais, nem posso mais saber,
nem moor perda nom poss'eu osmar.
 Maila dona por que [eu] moiro, bem
lhi faz Deus tanto, quant'eu já per rem
nunca direi, nen'o seu parecer.
  
15Ca tanto a fez Deus bem parecer
sobr'outras donas e melhor falar
sobre quantas eu pud[e] i veer,
que direi mais e pês a quem pesar:
mui maila fez valer em todo bem,
 20ca lhi fez El que lhi nom míngua rem
de quanto bem dona dev[e] haver.



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Nota geral:

Jogando com o tópico do segredo sobre a identidade da amada, o trovador começa por dizer aos seus amigos que decidiu revelar qual é a dona que o faz morrer, já que não irá perder mais do que já perde, pois perde a vida por ela. E a vida é a maior de todas as perdas. Ora essa dona é aquela a quem Deus deu tais qualidades que será de todo impossível enumerá-las. Mas adianta algumas: é a mais formosa e a que fala melhor. E até dirá mais, pese a quem pese: Deus deu-lhe todas as qualidades que deve ter uma dama. E assim termina o trovador a sua cantiga, sem nunca, de facto, quebrar a norma do segredo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: (v. 5 e 6 de cada estrofe)
bem, rem
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 201

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 201


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas