Múnio Fernandes de Mirapeixe


Pois me fazedes, mia senhor,
de quantas cousas no mund'há
desejos perder e sabor,
senom de vós, de que eu já
5nunca desejos perderei,
nem al nunca desejarei
no mundo, senom vós, senhor,
  
ou mia morte; pois me vós bem,
senhor, nom queredes fazer,
 10ca nom há no mund'outra rem
por que eu já possa perder
a coita que eu por vós hei,
senom por morrer, eu o sei,
ou por mim fazerdes vós bem;
  
15ca me fazedes muito mal
des aquel dia 'm que vos vi;
pero, senhor, rem nom vos val,
que nunca eu de vós parti
meu coraçom, pois vos amei;
20nem já nunca o partirei
d'amar-vos, e farei meu mal;
  
e faço-[o] já, pois Deus quer
que eu sempr'hei a desejar
(tanto com'eu viver poder)
25mia mort'e vosso semelhar:
ca nunca tanto viverei
que desej'al; nem sairei
por al de coita, pois Deus quer.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, o trovador diz-lhe que, embora ela lhe tenha feito perder o gosto por tudo, sempre a desejará - a ela e à morte (já que ela lhe recusa os seus favores). E por pior que ela lhe faça, nunca deixará de a amar, e de sofrer.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares (rima c uníssona)
Dobre: (vv. 1 e 7 de cada estrofe)
senhor (I), vós bem (II), mal (III), pois Deus quer (IV)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 44
(C 44)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 44


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas