Fernando Esquio


Senhor, por que eu tant'afã levei,
gram sazom há, por Deus, que vos nom vi;
e pero mui longe de vós vivi,
nunca aqueste verv'antig'achei:
5       "Quam longe d'olhos, tam longe de coraçom".
  
 A minha coita, por Deus, nom há par
que por vós levo sempr'e levarei;
e pero mui longe de vós morei,
nunca pude este verv'antig'achar:
10       "Quam longe d'olhos, tam longe de coraçom".
  
E tam gram coita d'amor hei migo
que o nom sabe Deus, mal pecado!
Pero que vivo muit'alongado
de vós, nom acho este verv'antigo:
15       "Quam longe d'olhos, tam longe de coraçom".



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Nota geral:

O trovador serve-se agora do provérbio antigo (mas ainda atual) "longe da vista, longe do coração", mas no sentido o contradizer: vivendo longe da sua senhora, nunca achou que, no seu caso, o provérbio esteja certo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 1296, V 900

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1296

Cancioneiro da Vaticana - V 900


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas