Lourenço


Três moças cantavam d'amor,
mui fremosinhas pastores,
mui coitadas dos amores.
E diss'end'ũa, mia senhor:
5       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.
  
Todas três cantavam mui bem,
come moças namoradas
e dos amores coitadas.
 10E diss'a por que perço o sem
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.
  
Que gram sabor eu havia
de as oir cantar entom!
15E prougue-mi de coraçom
quanto mia senhor dizia:
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.
  
E se as eu mais oísse,
20a que gram sabor estava!
E quam muito me pagava
de como mia senhor disse:
       - Dized'amigas comigo
       o cantar do meu amigo.



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Nota geral:

Cantiga de amor, porque dita em voz masculina, mas muito próxima do universo das cantigas de amigo, já que, não só nos apresenta um quadro de três moças enamoradas e cantando, como o refrão é colocado na voz de uma delas, a senhora do trovador. Trovador que se coloca na posição de um observador exterior e não pressentido, que se deleita com o facto de a sua amada pedir às companheiras para cantarem uma cantiga da sua autoria.
na cantiga anterior encontramos um quadro semelhante, mas aí com uma única moça a cantar. O facto de Lourenço ter sido numerosas vezes satirizado e desafiado em tenções a propósito das suas capacidades poéticas e artísticas (que são reais, diga-se) poderá eventualmente explicar as reiteradas alusões auto-referenciais (e auto-elogiosas) que encontramos nas suas cantigas líricas.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1262, V 867

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1262

Cancioneiro da Vaticana - V 867


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Tres moças cantavan d'amor      versão audio disponível

Versão de Paulina Ceremużyńska

Composição/Recriação moderna

Canção do Marinheiro      versão audio disponível

Versão de Heitor Villa-Lobos