Pero Velho de Taveirós ou Nuno Anes Cerzeo


 Par Deus, Dona Maria, mia senhor bem talhada,
do bem que vos eu quero nom entendedes nada,
 nem do mal, nem da coita que por vós hei levada;
e entend'eu mui bem o mal que mi queredes.
5       O bem que vos eu quero, vós non'o entendedes,
       e entend'eu e sei o mal que me queredes.
  
Nom há, Dona Maria, nulh'homem que soubesse
o bem que vos eu quero que doo nom houvesse
de mim, e choraria, se dereito fezesse
10[........] o mal que mi queredes.
       O bem que vos eu quero, vós non'o entendedes,
       e entend'eu e sei o mal que me queredes.



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Nota geral:

Nomeando, por uma vez (o que é raro neste género de cantigas), a sua senhora, D. Maria, o trovador diz-lhe que, se ela não entende o amor que lhe tem e o sofrimento que padece, e do qual qualquer pessoa se condoeria, ele entende muito bem o mal que ela lhe quer. A cantiga está visivelmente incompleta.
O facto de o trovador nomear a sua senhora, aliado a um certo tom de risonha exasperação, singularizam esta composição. Infelizmente, torna-se impossível identificarmos a dama, o que não nos permite avaliar cabalmente o sentido desta referência.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Palavra(s)-rima: (v. 4 de cada estrofe)
o mal que mi queredes
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Fontes manuscritas

B 140

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 140


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas