João Airas de Santiago


- Meu amigo, quero-vos preguntar.
- Preguntade, senhor, ca m'[é] en bem.
- Nom vos há mester de mi rem negar.
- Nunca vos eu, senhor, negarei rem.
5       - Tantos cantares por que fazedes?
        - Senhor, ca nunca mi escaecedes.
  
- Preguntar-vos quero, per bõa fé.
 - Preguntade, ca hei en gram sabor.
- Nom mi neguedes rem, pois assi é.
10- Nunca vos rem negarei, mia senhor.
       - Tantos cantares por que fazedes?
       - Senhor, ca nunca mi escaecedes.
  
- Nom vos pês de qual pregunta fez[er].
- Nom, senhor, ante vo-lo gracirei.
15- Nem m'ar neguedes o que vos disser.
- Nunca vos eu, senhor, rem negarei.
       - Tantos cantares por que fazedes?
       - Senhor, ca nunca mi escaecedes.
  
- [E] este bem por mi o fazedes?
20- Por vós, mia senhor, que o valedes.



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Nota geral:

Neste vivo diálogo, a donzela pergunta ao seu amigo por que motivo faz tantos cantares, e este responde-lhe que é porque nunca a consegue esquecer. Na finda, a donzela interroga-o sobre o cantar presente e obtém como resposta que ela o merece bem.
Mais uma vez João Airas faz, nesta cantiga, uma maliciosa auto-referência à sua grande produtividade poética.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão, Dialogada
Cobras singulares
Finda
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Fontes manuscritas

B 1016, V 606

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1016

Cancioneiro da Vaticana - V 606


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas