Nuno Fernandes Torneol


 Am'eu tam muito mia senhor
que sol nom me sei conselhar!
E ela nom se quer nembrar
de mim... e moiro-me d'amor!
5       E assi morrerei por quem
       nem quer meu mal, nem quer meu bem!
  
E quando lh 'eu quero dizer
o muito mal que mi amor faz,
sol nom lhe pesa, nem lhe praz,
10nem quer em mim mentes meter.
       E assi morrerei por quem
       nem quer meu mal, nem quer meu bem!
  
Que ventura que me Deus deu:
que me fez amar tal molher
15que meu serviço nom me quer!
E moir'e nom me tem por seu!
       E assi morrerei por quem
       nem quer meu mal, nem quer meu bem!
  
E veede que coita tal:
20que eu já sempr'hei a servir
molher que mi o nom quer gracir,
nem mi o tem por bem, nem por mal!
       E assi morrerei por quem
       nem quer meu mal, nem quer meu bem!



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Nota geral:

O trovador dá conta, nesta cantiga, da indiferença da sua senhora perante o seu amor e o seu sofrimento: não lhe quer bem nem mal, limita-se a não lhe prestar qualquer atenção.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Palavra perduda: v. 1 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 71, B 184

Cancioneiro da Ajuda - A 71

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 184


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas