João Servando - Todas as cantigas

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Cancioneiros:

B 1074, V 664
(C 1074)

Descrição:

Cantiga de Amor

Refrão

Um dia vi mia senhor,
que mi deu atal amor
que nom direi per u for
quem ést[e], per nulha rem;
5       nom ous'eu dizer por quem
       mi vem quanto mal mi vem.
  
Preguntam-me cada dia
polo que nom ousaria
dizer, ca m'hei todavia
10medo de mort', e por en
       nom ous'eu dizer por quem
       mi vem quanto mal mi vem.
  
Preguntam-m'em puridade
que lhis diga en verdade,
15mais eu, com gram lealdade,
e por nom fazer mal-sem,
       nom ous'eu dizer por quem
       mi vem quanto mal mi vem.
  
Andam-m'assi preguntando
20que lhis diga por que ando
trist', [e] eu, por Sam Servando,
com pavor que hei d'alguém,
       nom ous'eu dizer por quem
       mi vem quanto mal mi vem.


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Cancioneiros:

B 1075, V 665

Descrição:

Cantiga de Amor

Refrão

Amigos, cuido sempr'em mia senhor,
por lhi fazer prazer, [se Deus m'ampar]
pero direi que mi avém em cuidar:
hei a cuidar em cuidá'lo melhor,
5       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
E o cuidar que eu cuid'e cuidei,
des aquel dia 'm que mia senhor vi,
log'em cuidar sempre cuidei assi,
10por cuidar end'o melhor, e o cuidei;
       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
Tanto cuidei [eu] já que nom há par
em mia senhor se mi faria bem;
15em cuidar nom me partiria en,
se poderia o melhor cuidar;
       pero cuidando nom posso saber
       como pudesse dela bem haver.
  
Par Sam Servando, mentr'eu já viver,
20por mia senhor cuid'e cuid'a morrer.


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Cancioneiros:

B 1142, V 734
(C 1142)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Quand'eu a Sam Servando fui um dia daqui
fazê'la romaria e meu amig'i vi,
direi-vos com verdade quant'eu del entendi:
       muito venho pagada
5       de quanto lhi falei;
       mais há m'el namorada
       que nunca lhi guarrei.
  
Que bõa romaria com meu amigo fiz,
ca lhi dix', a Deus grado, quanto lh'eu dizer quis,
10e dixi-lh'o gram torto que sempre dele prix:
       muito venho pagada
       de quanto lhi falei;
       mais há m'el namorada
       que nunca lhi guarrei.
  
15U el falou comigo, diss-m'esta razom:
por Deus, que lhi faria? E dixi-lh'eu entom:
"Haverei de vós doo [e]no meu coraçom";
       muito venho pagada
       de quanto lhi falei;
20       mais há m'el namorada
       que nunca lhi guarrei.
  
Nunca m'eu desta ida acharei senom bem,
ca dix'a meu amigo a coita 'm que me tem
o seu amor, e cuido que vai ledo por en:
25       muito venho pagada
       de quanto lhi falei;
       mais há m'el namorada
       que nunca lhi guarrei.


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Cancioneiros:

B 1143, V 735

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Ir-se quer o meu amigo,
nom me sei eu del vingar,
e, pero mal está migo,
se me lh'eu ant'assanhar,
5       quando m'el sanhuda vir,
       nom s'ousará daquend'ir.
  
Ir-se quer el daqui cedo
por mi nom fazer companha,
mais, pero que nom há medo
10de lhi mal fazer mia sanha,
       quando m'el sanhuda vir,
       nom s'ousará daquend'ir.
  
Foi el fazer noutro dia
oraçom a Sam Servando
15por s'ir já daqui sa via,
mais, se m'eu for assanhando,
       quando m'el sanhuda vir,
       nom s'ousará daquend'ir.


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Cancioneiros:

B 1144, V 736
(C 1144)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

A Sam Servand'em oraçom
foi meu amig'e, porque nom
foi e[u], chorarom des entom
       estes meus olhos com pesar;
5       e non'os poss'end'eu quitar
       estes meus olhos de chorar.
  
Pois que s'agora foi daqui
o meu amig'e o nom vi,
filharom-s'a chorar des i
10       estes meus olhos com pesar;
       e non'os poss'end'eu quitar
       estes meus olhos de chorar.


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Cancioneiros:

B 1145, V 737

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

A Sam Servando foi meu amigo
e porque nom veo falar migo
       direi-o a Deus
       e chorarei dos olhos meus.
  
5Se o vir, madre, serei cobrada
e porque me teendes guardada
       direi-o a Deus
       e chorarei dos olhos meus.
  
Se m'el nom vir, será por mi morto,
10mais, porque m'el fez [a]tam gram torto,
       direi-o a Deus
       e chorarei dos olhos meus.


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Cancioneiros:

B 1146/1146bis, V 738/749
(C 1146)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Ora vam a Sam Servando donas fazer romaria
e nom me leixam com elas ir, ca log'alá iria,
       porque vem i meu amigo.
  
Se eu foss'em tal companha de donas, fora guarida,
5mais nom quis hoje mia madre que fezess'end'eu a ida,
       porque vem i meu amigo.
  
Tal romaria de donas vai alá que nom há par,
e fora hoj'eu com elas, mais nom me querem leixar,
       porque vem i meu amigo.
  
10Nunca me mia madre veja, se dela nom for vingada,
porque hoj'a Sam Servando nom vou, e me tem guardada,
       porque vem i meu amigo.


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Cancioneiros:

B 1147, V 739
(C 1147)

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

A Sam Servand', u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
       que me leixedes alá ir
       a Sam Servand'e, se o meu amigo vir,
5       leda serei, por nom mentir.
  
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
       que me leixedes alá ir
       a Sam Servand'e, se o meu amigo vir,
10       leda serei, por nom mentir.
  
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
       que me leixedes alá ir
       a Sam Servand'e, se o meu amigo vir,
15       leda serei, por nom mentir.


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Cancioneiros:

B 1148, V 740

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Se meu amig'a Sam Servando for
e lho Deus guisa, polo seu amor,
       i-lo quer'eu, madre, veer.
  
E se el for, como me demandou,
5a Sam Servando, u m'outra vez buscou,
       i-lo quer'eu, madre, veer.
  
O meu amigo, que mi vós tolhedes,
pero m'agora por el maldizedes,
       i-lo quer'eu, madre, veer.


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Cancioneiros:

B 1149, V 741

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão e Paralelística

Mia madre velida, e nom me guardedes
d'ir a Sam Servando, ca, se o fazedes,
       morrerei d'amores.
  
E nom me guardedes, se vós bem hajades,
5d'ir a Sam Servando, ca, se me guardades,
       morrerei d'amores.
  
E, se me vós guardades d'atal perfia
d'ir a Sam Servando fazer romaria,
       morrerei d'amores.
  
10E, se me vós guardades, eu bem volo digo,
d'ir a Sam Servando veer meu amigo,
       morrerei d'amores.


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Cancioneiros:

B 1149bis, V 742

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Triste and'eu, velida, e bem vo-lo digo,
porque mi nom leixam veer meu amigo;
       podem-m'agora guardar,
       mais nom me partirám de o amar.
  
5Pero me ferirom por el noutro dia,
fui a Sam Servando, se o ve[e]ria;
       podem-m'agora guardar,
       mais nom me partirám de o amar.
  
E, pero me guardam, que o [eu] nom veja,
10esto nom pode seer per rem que seja;
       podem-m'agora guardar,
       mais nom me partirám de o amar.
  
Muito me podem guardar,
e nom me partirám d[e] o amar.


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Cancioneiros:

B 1150, V 743

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Foi-s'agora meu amig'e por en
há-mi jurado que polo meu bem
me quis e quer mui melhor doutra rem;
       mais eu bem creo que nom est assi,
5       ante cuid'eu que moira el por mi
       e eu por el, em tal hora o vi.
  
Quando se foi, viu-me triste cuidar,
e logo disse, por me nom pesar,
que por meu bem me soube tant'amar;
10       mais eu bem creo que nom est assi,
       ante cuid'eu que moira el por mi
       e eu por el, em tal hora o vi.
  
Aquel dia que se foi, mi jurou
que por meu bem me sempre tant'amou
15e amará, pois migo começou;
       mais eu bem creo que nom est assi,
       ante cuid'eu que moira el por mi
       e eu por el, em tal hora o vi.
  
Par Sam Servando, sei que será assi,
20de morrer eu por el e el por mim.


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Cancioneiros:

B 1151, V 744

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Fui eu a Sam Servando por veer meu amigo,
e non'o vi na ermida nem falou el comigo,
       namorada.
  
Disserom-mi mandado do que muito desejo,
5ca verria a Sam Servando e, pois eu non'o vejo,
       namorada.


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Cancioneiros:

B 1152, V 745

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Diz meu amigo que lhi faça bem,
mais nom mi diz o bem que quer de mi[m];
eu por bem tenho de que lh'aqui vim
polo veer, mais el assi nom tem;
5       mais, se soubess'eu qual bem el querria
       haver de mi, assi lho guisaria.
  
Pede-m'el bem, quant'há que o eu vi,
e nom mi diz o bem que quer haver
de mim, e tenh'eu que d[e] o veer
10lh'é mui gram bem, e el nom tem assi;
       mais, se soubess'eu qual bem el querria
       haver de mi, assi lho guisaria.
  
Pede-m'el bem, nom sei em qual razom,
pero nom mi diz o bem que querrá
15de mim; e tenh'eu, de que o vi já,
que lhe gram bem [é], e el tem que nom;
       mais, se soubess'eu qual bem el querria
       haver de mi, assi lho guisaria.
  
Par Servand', e assanhar-m'-ei um dia,
20se m'el nom diz qual bem de mim querria.


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Cancioneiros:

B 1143bis, V 746

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Filha, o que queredes bem
partiu-s'agora daquém
e nom vos quiso veer;
       e ides vós bem querer
5       a quem vos nom quer veer?
  
Filha, que mal baratades,
que o sem meu grad'amades,
pois que vos nom quer veer;
       e ides vós bem querer
10       a quem vos nom quer veer?
  
Por esto lhi quer'eu mal,
mia filha, e nom por al,
porque vos nom quis veer;
       e ides vós bem querer
15       a quem vos nom quer ver?
  
Andades por el chorando
e foi ora a Sam Servando
e nom vos quiso veer;
       e ides vós bem querer
20       a quem vos nom quer veer?


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Cancioneiros:

B 1144bis, V 747

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Disserom-mi ca se queria ir
o meu amigo, porque me ferir
quiso mia madr', e, se m'ante nom vir,
       achar-s'-á end'el mal, se eu poder;
5       se ora for sem meu grad'u ir quer,
       achar-s'-á end'e[l] mal, se eu poder.
  
Torto mi fez que m'agora mentiu;
a veer m'houv'e pero nom me viu,
e, porque m'el de mandado saiu,
10       achar-s'-á end'el mal, se eu poder;
       se ora for sem meu grad'u ir quer,
       achar-s'-á end'e[l] mal, se eu poder.
  
El me rogou que lhi quisesse bem,
e rogo a Deus que lhi dia por en
15coitas d'amor, e, pois s'el vai daquém
       achar-s'-á end'el mal, se eu poder;
       se ora for sem meu grad'u ir quer,
       achar-s'-á end'e[l] mal, se eu poder.
  
A Sam Servando foi em oraçom
20eu, que o viss', e nom foi el entom,
e por atanto, se Deus mi perdom,
       achar-s'-á end'el mal, se eu poder;
       se ora for sem meu grad'u ir quer,
       achar-s'-á end'e[l] mal, se eu poder.
  


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Cancioneiros:

B 1145bis, V 748

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

[D]o meu amigo, que me faz viver
trist'e coitada des que o eu vi,
esto sei bem: que morrerá por mi;
e, pois eu logo por el ar morrer,
5       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Vivo coitada, par Nostro Senhor,
por meu amigo, que me nom quer já
valer, e sei que [por mi] morrerá;
10mais, pois eu logo por el morta for,
       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Sabe mui bem que nom há de guarir
o meu amigo, que mi faz pesar,
15ca morrerá, non'o meto em cuidar,
por mi, e, pois m'eu por el morrer vi[r],
       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Por Sam Servando, que eu rogar vim,
20nom morrerá meu amigo por mim.


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Cancioneiros:

B 1147bis, V 750

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Ir-vos queredes, amigo,
e hei end'eu mui gram pesar,
ca me fazedes trist'andar
por vós, eu bem vo-lo digo,
5       ca nom hei sem vós a veer,
       amigo, ond'eu haja prazer;
       e com'hei sem vós a veer
       ond'eu haja nẽum prazer?
  
E ar direi-vos outra rem:
10pois que vós vos queredes ir,
meu ami[g]', e de mi partir,
perdud'hei eu todo meu bem,
       ca nom hei sem vós a veer,
       amigo, ond'eu haja prazer;
15       e com'hei sem vós a veer
       ond'eu haja nẽum prazer?
  
Chorarám estes olhos meus,
pois vos ides sem meu grado;
Por que mi andades irado?
20Mais ficade migo, por Deus,
       ca nom hei sem vós a veer,
       amigo, ond'eu haja prazer;
       e com'hei sem vós a veer
       ond'eu haja nẽum prazer?
  
25A Sam Servand'irei dizer
que me mostre de vós prazer.


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Cancioneiros:

V 1028
(C 1419)

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Refrão

É sa sela muito dura
e dana-s'a pregadura,
mais nom a for de Castela.
       Ai novel, nom vos há prol
5       de tragerdes mais a sela!
  
Já [s'] a sela dana mal
e quebra o peitoral
per u se tem a fivela.
       Ai novel, nom vos há prol
10       de tragerdes mais a sela!
  
Já s'a sela vai usando,
e dixo Joam Servando,
que muito vosco revela:
       Ai novel, nom vos há prol
15       de tragerdes mais a sela!


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Cancioneiros:

V 1029

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Refrão

Comerom [os] infanções, em outro dia,
apartados, na feira de Santa Maria,
e derom-lhi linguados por melhoria,
que nunca vi tam poucos, des que naci.
5       Eu cõn'os apartados fui entom i
       apartado da vida, e nom comi.
  
Direi-vos como forom i apartados:
deram-lhis das fanegas e dos pescados
atanto, per que forom mui lazerados,
10que, des quando foi nado, nunca chus vi.
       Eu cõn'os apartados fui entom i
       apartado da vida, e nom comi.
  
Apartarom-se eles, por comer bem,
melhor que comeriam em almazém;
15e pois, quando s'erger nom podiam en,
tirar[om] mui bem as pernas cara si.
       Eu cõn'os apartados fui entom i
       apartado da vida, e nom comi.


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Cancioneiros:

V 1030

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Descordo

Dom Domingo Caorinha
nom há proe
de sobir en[a] Marinha
Caadoe;
5quand'ela jaze sobinha
mal a roe
a g[r]ossa pixa misquinha
que lhi no seu cono moe.
       Por aquesto, Dom Domingo,
10       nom digades que m'enfingo
       de trobar:
       e[u] doutra cinta me cingo
       e doutra Martim Colhar.
  
Dom Domingo, a Deus loado,
15daqui atró em Toledo
nom há clérigo prelado
que nom tenha o degredo.
......................[ado]
e vós, Marinha, co dedo
20havede'lo con'usado
que nom pode teer vedo.
       Por aquesto, Dom Domingo,
       nom digades que m'enfingo
       de trobar:
25       e[u] doutra cinta me cingo
       e doutra Martim Colhar.
  
Dom Domingo, nom podedes
[d]os calções,
que com a pissa tragedes
30a Marinha per paixões,
mais per como a fodedes,
e[n]xerdades os [s]erões,
e sobides e decedes,
[e que]brades os colhões.
35       Por aquesto, Dom Domingo,
       nom digades que m'enfingo
       de trobar:
       e[u] doutra cinta me cingo
       e doutra Martim Colhar.
  
40Dom Domingo, vossa vida
é com pea,
pois Marinha jaz transida
e sem cea,
per que vos, aa sobida,
45cansou essa cordovea:
ficou-vo'la pissa espida,
que já xe vos [or'] eisfrea.
       Por aquesto, Dom Domingo,
       nom digades que m'enfingo
50       de trobar:
       e[u] doutra cinta me cingo
       e doutra Martim Colhar.


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Cancioneiros:

V 1031

Descrição:

Cantiga de Escárnio e maldizer

Mestria

De quant[o] hoj'eno mundo querria
que m'aquel infançom dess', end'avém:
ca lhi pedi os panos que tragia
e disse-m'el o que teve por bem:
5ca os queria trager a seu sem,
e pois na cima, que mi os nom daria.
  
E pois lo vi nos panos perfiado,
entom puïnhei mais em lhos pedir;
e disse-m'el: - Muito foi en pagado;
10ide-vos alhur, e quando vos ar vir,
querrei os panos ante vós cobrir,
que sejades deles dessegurado.
  
E por en serei já sempre do seu lado,
per como m'ele os panos mandou:
15u me partia del, desconfortado,
foi-me chamar, e diss'u me chamou:
- Joam Servando, pero m'assi vou,
nom vos darei os panos a meu grado.


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Cancioneiros:

B 1146 bis, V 749

Descrição:

Cantiga de Amigo

Refrão

Donas vam a Sam Servando muitas hoj'em romaria,
mais nom quis hoje mia madre que foss'eu i este dia
       porque vem i meu amigo.
  
Se eu foss'em tal companha de donas, fora guarida,
5mais nom quis hoje mia madre que end'eu fezesse a ida,
       porque vem i meu amigo.
  
Atal companha de donas vai alá que nom há par,
e fora-m'eu hoje com elas, mais nom me querem leixar,
       porque vem i meu amigo.