Rui Fernandes de Santiago


I logo, senhor, que vos vi,
vi eu que fazia mal sem
d'ir osmar de vos querer bem;
e partira-m'end'eu log'i;
5       mailo vosso bom parecer
       nom mi o leixou, senhor, fazer,
       nem mi o leixa, senhor, fazer.
  
Assaz entendo eu que d'ir
começar com atal molher
10come vós nom m'era mester;
e quisera-m'end'eu partir;
       mailo vosso bom parecer
       nom mi o leixou, senhor, fazer,
       nem mi o leixa, senhor, fazer.
  
15Senhor, e nom foi pelo meu
grad', u vos fui amar, nem hei
i culpa porque vos amei;
ca me vos partira end'eu;
       mailo vosso bom parecer
20       nom mi o leixou, senbor, fazer,
       nem mi o leixa, senhor, fazer.
  
E nom xe vos filhe pesar,
por vos eu mui de coraçom
amar, ca Deus nom mi perdom,
25se m'en nom quisera quitar;
       mailo vosso bom parecer
       nom mi o leixou, senhor, fazer,
       nem mi o leixa, senhor, fazer.



 ----- Increase text size ----- Decrease text size

General note:

O trovador declara à sua senhora que, mal a viu, logo percebeu que seria insensato amá-la; e não o teria feito, se pudesse. Mas a beleza dela impediu-o e impede-o de o fazer. Não foi, pois, por sua vontade, que a foi amar. E, não tendo culpa, pede-lhe que esse amor não lhe cause pesar.



General note


Description

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Learn more)


Manuscript sources

B 904bis, V 490

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 904bis

Cancioneiro da Vaticana - V 490


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown