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Martim Moxa


Per quant'eu vejo,      ←
perco-me desejo,      ←
hei coita e pesar;      ←
se and'ou sejo,      ←
 5o cor m'est tam tejo,      ←
que me faz cuidar;      ←
 ca, pois franqueza      ←
proez'a      ←
venceu escasseza,      ←
10nom sei que pensar.      ←
Vej'avoleza,      ←
maleza,      ←
per sa soteleza      ←
o mundo tornar.      ←
  
15Já de verdade      ←
nem de lealdade      ←
nom ouço falar;      ←
ca falsidade,      ←
mentira e maldade      ←
20nom lhis da[m] logar;      ←
estas som nadas,      ←
criadas,      ←
e aventuradas      ←
e querem reinar.      ←
25As nossas fadas,      ←
iradas,      ←
for[om] i chegadas      ←
por esto fadar.      ←
  
Louvamĩares      ←
30e prazenteares      ←
ham prez e poder;      ←
e nos logares      ←
u nobres falares      ←
soíam dizer,      ←
35vej'a honrados      ←
deitados,      ←
do mund'eixerdados      ←
e vam-se perder;      ←
vej'achegados,      ←
40loados,      ←
de muitos amados      ←
os de maldizer.      ←
  
  A crerizia,      ←
per que se soía      ←
45todo bem reger      ←
- paz, cortesia,      ←
solaz, que havia      ←
fremoso poder      ←
(quand'alegria      ←
50vevia      ←
no mund'e fazia      ←
muit'alg'e prazer) -      ←
foi-se sa via,      ←
e dizia:      ←
55- [Ora] cada dia      ←
hei de falecer.      ←
  
Dar, que valia,      ←
compria      ←
seu tempo, fogia,      ←
60por s'ir asconder.      ←



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General note:

Sirventês em forma de descordo, novamente numa visão pessimista do mundo, aqui consubstanciada na comparação entre as misérias do presente e os bons tempos do passado. A composição apresenta alguns problemas de leitura, como em geral acontece com esta forma, de esquema métrico complicado, que devia perturbar um pouco os copistas.
De resto, como já Henry Lang chamou a atenção1, esta composição de Martim Moxa tem nítidas semelhanças com um sirventês de um dos mais conhecidos trovadores provençais, Peire Cardinal (que citamos na transcrição de Lang): Falsedatz e desmezura/ An batalha empreza/ Ab vertat et ab dreytura,/ E vens la falseza;/ E deslialtatz si jura/ contra lialeza;/ E avaretatz ´atura/ Escontra largueza.

References

1 Lang, Henry, "O descordo na antiga poesia portuguesa e espanhola" (1899), in Cancioneiro d´el rei Dom Denis e Estudos dispersos , Niterói, Editora da Universidade Federal Fluminense, 2010.



General note


Description

Sirventês moral
Descordo
Cobras singulares (rima b dobla)
Finda
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Manuscript sources

B 896, V 481

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 896

Cancioneiro da Vaticana - V 481


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown