Search in glossary
  (line 10)

João Soares Somesso


Nom me poss'eu, senhor, salvar      ←
que muito bem nom desejei      ←
haver de vós; mais salvar-m'-ei      ←
 que nom cuidei end'acabar      ←
5mais do que vos quero dizer:       ←
cuidei-vos, senhor, a veer.      ←
Atanto bem houve em cuidar!      ←
  
 E dig'esto por me guardar      ←
d'ũa cousa que vos direi:      ←
10nem cuidedes que al cuidei      ←
de vós, mia senhor, a gãar,      ←
senom que podesse viver      ←
na terra vosc'; e Deus poder      ←
me leix'haver d'i sempr'estar.      ←
  
15E dê-me poder de negar      ←
sempr'a mui gram coita que hei      ←
por vós aas gentes que sei      ←
que punham em adevinhar       ←
fazenda d'hom', ena saber.      ←
20E os que esto vam fazer,      ←
 Deu'los leix'ende mal achar.      ←
  
E Deu'los leix'assi ficar      ←
com'eu, senhor, sem vós fiquei,      ←
u vos vi ir, e nom ousei      ←
25ir convosco, e de pesar      ←
houvera por end'a morrer:      ←
 tam grave me foi de sofrer      ←
de m'haver de vós a quitar!      ←



 ----- Increase text size ----- Decrease text size

General note:

Nitidamente na sequência da cantiga anterior, o trovador diz agora à sua senhora que, não podendo negar que imaginou receber dela um grande bem, pode garantir que em nada mais pensava senão em poder vê-la. Apenas isso desejava alcançar e nada mais. De resto, ele pede a Deus (na 3ª estrofe e seguinte) que lhe dê o poder de continuar a esconder o seu amor dos bisbilhoteiros, os que se dedicam a adivinhar a vida dos outros. E que os faça sofrer tanto como ele sofreu quando a viu partir e não ousou acompanhá-la.



General note


Description

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
(Learn more)


Manuscript sources

A 17, B 110

Cancioneiro da Ajuda - A 17

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 110


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown