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Airas Moniz de Asma


Pois mi nom val d'eu muit'amar      ←
a mia senhor, nem a servir,      ←
 nem quam apost'eu sei negar      ←
o amor que lh'hei a 'ncobrir,      ←
5e ela, que me faz perder       ←
[o sem, nom me quer i valer,]      ←
já eu chus non'a negarei,      ←
 vel saberám de quem tort'hei:      ←
  
da que há melhor semelhar      ←
10de quantas no mund'home vir,      ←
e mais [manso sabe falar]      ←
das que home falar oir;      ←
nom vo-la hei chus a dizer,      ←
[ca] quem quer x'a pod'entender;      ←
15chus seu nome nom direi,      ←
 ca a feito mi a nomeei!      ←
  
E quem bem quiser trastornar       ←
per todo mund'e [in]querir,      ←
mui festinho xi a pod'achar;      ←
20ca, por vos home nom mentir,      ←
nom há ela tal parecer      ←
com que s'assi possa asconder;      ←
per como a eu dessinei,      ←
achá-la-am, cousa que sei!      ←
  
  25Os que me soíam coitar      ←
 foi-lhes mia senhor descobrir;      ←
 já mi ora leixarám folgar,      ←
ca lhis nom podia guarir;      ←
ca bem lhe-la fiz conhocer,       ←
30porque me nom quis bem fazer!      ←
E tenho que bem me vinguei,      ←
  pois la em concelh'avoguei!      ←



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General note:

Seguindo imediatamente os cinco lais anónimos que abrem o Cancioneiro da Biblioteca Nacional, esta cantiga de Airas Moniz de Asma é, pois, a primeira composição de um autor identificado transcrita por este cancioneiro (estando ausente do Cancioneiro da Vaticana em virtude de nele faltarem os fólios iniciais).
A cantiga, que apresenta alguns problemas de leitura e de edição, joga com a questão do necessário segredo que os trovadores devem manter em relação à identidade das amadas: dizendo-se desesperado e já sem nada a perder, o trovador propõe-se revelar quem é a cruel causadora dos seus males. Fazendo então o seu elogio (a mais bela, a mais meiga), ele crê que todos a irão reconhecer. Nomeá-la assim publicamente é, pois, a sua vingança.
Acrescente-se que, uma vez que o esquema métrico desta cantiga é igual ao da composição A per pauc de chantar no·m lais do célebre trovador provençal Peire Vidal, é possível, como pensam Paolo Canettieri e Carlo Pulsoni1, que o trovador se tenha servido da música dessa composição (ou seja, que se trate de um contrafactum).

References

1 Canettieri, Paolo e Pulsoni, Carlo (1995), "Contrafacta galego-portoghesi", in Medioevo e Literatura. Actas del V Congreso de la Asociación Hispánica de Literatura Medieval, vol. I, Granada, Universidad de Granada.



General note


Description

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
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Manuscript sources

B 6

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 6


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown