Nuno Fernandes Torneol


Assi me traj'ora coitad'Amor
que nunca lh'home vi trager tam mal;
e vivo com el ũa vida tal
que já mia morte seria melhor.
5       Nostro Senhor, nom me leixe viver,
       se estas coitas nom hei a perder!
  
E pera qual terra lh'eu fugirei
log'el saberá mandado de mi,
 ali u for; e pois me tever i
10em sa prisom, sempr'eu esto direi:
       Nostro Senhor, nom me leixe viver,
       se estas coitas nom hei a perder!
  
E a mim faz hoj'el maior pesar
de quantos outros seus vassalos som
15e a [e]ste mal nom lh'hei defensom:
u me tem em poder, quer-me matar.
       Nostro Senhor, nom me leixe viver,
       se estas coitas nom hei a perder!



 ----- Increase text size ----- Decrease text size

General note:

De novo a partir da personificação do Amor, mais uma cantiga simples mas original. Nela o trovador afirma que o Amor o maltrata de tal forma que vive com ele uma vida desgraçada, mais lhe valendo morrer. No refrão, dirigindo-se diretamente a Nosso Senhor, pede-Lhe exatamente a morte, se Ele não se dispuser a acabar com o seu sofrimento. Porque tem consciência, como acrescenta na 2ª estrofe, que, por mais que fuja do Amor, ele acabará sempre por descobrir o seu paradeiro e prendê-lo-á de novo. Na 3ª estrofe, acrescenta ainda que, de todos os seus vassalos, é a ele que o Amor mais maltrata, não vendo ele maneira de se defender da morte que esse cruel senhor lhe quer dar.



General note


Description

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Learn more)


Manuscript sources

B 185bis

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 185bis


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown