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Fernão Soares de Quinhones


       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
        que amor tam saboroso e sem tapone!      ←
  
Que amor tam viçoso e tam são,      ←
quen'o podesse teer atá o Verão!      ←
 5Mais valria que amor de Chorrichão      ←
 nem de Martim Gonçalves d'Orzelhone.      ←
       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
       que amor tam saboroso e sem tapone!      ←
  
Que amor tam delgad[o] e tam frio,      ←
10mais nom creo que dure atá o Estio,      ←
 ca atal era outr'amor de meu tio,      ←
que se botou a pouca de sazone.      ←
       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
       que amor tam saboroso e sem tapone!      ←
  
15Que amor tam pontoso, se cuidades,      ←
fazer-vos-á chorar, se o gostades;      ←
semelhar-vos-á, se o provades,      ←
amor de Dom Palaio de Gordone.      ←
       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
20       que amor tam saboroso e sem tapone!      ←
  
Que amor tam astroso e tam delgado,      ←
quen'o tevess[e] um ano soterrado!      ←
Aquel[e] fora em bom ponto nado      ←
que depois houvesse d'el bõa rençone.      ←
25       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
       que amor tam saboroso e sem tapone!      ←
  
Que amor tam astros'e tam pungente,      ←
quen'o podess'haver em remordente!      ←
Mais valria que amor d'um meu parente      ←
30que mora muit'acerca de Leone.      ←
       Ai amor, amore de Pero Cantone,      ←
       que amor tam saboroso e sem tapone!      ←



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General note:

Curiosa paródia aos amores de um tal Pedro Cantom, infelizmente cheia de pontos obscuros, motivados pelas numerosas referências difíceis de contextualizar (incluindo a identidade do visado). À primeira vista, parece tratar-se de uma sátira a um apaixonado que jura um amor eterno e pungente, mas de cuja duração e sinceridade se duvida. No entanto, pelas diversas alusões da cantiga, talvez se possa entender que o verdadeiro amor deste Pero Cantom seria o vinho (e as declarações de amor feitas sob o seu efeito). Uma outra hipótese de leitura é a de a composição ser uma espécie de cantiga de amigo parodística, dita por uma mulher – que confessaria os seus amantes face ao platonismo do tal Pero Cantom. Vicente Beltran1 sugere ainda a hipótese de a cantiga se relacionar, de alguma forma, com os problemas financeiros e familiares para os quais a biografia do trovador parece apontar. A dupla referência, que encontramos na cantiga, a um tio e um parente do trovador poderá dar alguma plausibilidade a esta hipótese. São pistas de leitura que o leitor poderá ou não seguir.
A cantiga é ainda curiosa pelo emprego que faz do e paragógico nas terminações nasais em on (cantone, tapone, etc.) – o que poderá ser um recurso para acentuar o ridículo, ou um mero arcaísmo gráfico dos copistas.

References

1 Beltran, Vicenç (2005), La corte de Babel. Lenguas, poética y política en la España del siglo XIII, Madrid, Bredos, p. 222.
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General note


Description

Escárnio e Maldizer
Refrão, refrão inicial
Cobras singulares
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Manuscript sources

B 1553
(C 1554)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1553


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown