Pero Garcia Burgalês


 Dona Maria Negra, bem talhada,
dizem que sodes de mim namorada.
       Se me bem queredes,
        por Deus, amiga, que m'ôi sorrabedes
5       se me bem queredes.
  
Pois eu tanto por voss'amor hei feito,
  ali u vós migo talhastes preito!
       Se me bem queredes,
       por Deus, amiga, que m'ôi sorrabedes,
10       se me bem queredes.
  
 Por nom viir a mim soa, sinlheira,
venha convosc'a vossa covilheira.
       Se me bem queredes,
       por Deus, amiga, que m'ôi sorrabedes,
15       se me bem queredes.
  
Pois m'eu [tanto] por vós de peidos vazo,
ali u vós migo talhastes prazo!
       Se me bem queredes,
       por Deus, amiga, que m'ôi sorrabedes,
20       se me bem queredes.



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General note:

Ao ritmo de uma delicada cantiga de amigo, um escárnio bastante obsceno à mesma Maria Negra de uma cantiga anterior, aqui alegadamente apaixonada pelo trovador, que lhe retribui de uma forma, no mínimo, muito direta. É provável que, musicalmente, a composição fosse uma cantiga de seguir (talvez mesmo aproveitando um anterior refrão, ligeiramente alterado).



General note


Description

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras singulares
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Manuscript sources

B 1383bis, V 992

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1383bis

Cancioneiro da Vaticana - V 992


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown