Martim Moxa


Quem viu o mundo qual o eu já vi
e viu as gentes que eram entom
e viu aquestas que agora som,
Deus! Quand'i cuida, que pode cuidar?
5Ca me sin'eu, per mim, quando cuid'i:
       por que me nom vou algur esterrar,
       se poderia melhor mund'achar?
  
Mundo tẽemos fals'e sem sabor,
mundo sem Deus e em que bem nom há,
10e mundo tal que nom corregerá,
ante o vejo sempr'empeorar.
 Quand'est'eu cat'e vej'end'o melhor,
       por que me nom vou algur esterrar,
       se poderia melhor mund'achar?
  
   15U foi mesur'ou grãadez? U jaz
verdad'? U é quem há amigo leal?
 Que fui d'amor ou trobar? Porque sal
a gente trist'e sol nom quer cantar?
Quand'est'eu cat'e quanto mal s'i faz,
20       por que me nom vou algur esterrar,
       se poderia melhor mund'achar?
  
Viv'eu em tal mund', e faz m'i viver
ũa dona, que quero mui gram bem,
e muit'há já que m'em seu poder tem,
25bem dê'lo temp'u soíam amar.
Oimais, de mim pode quem quer saber
       por que me nom vou algur esterrar,
       se poderia melhor mund'achar.
  
Mais em tal mundo por que vai morar
 30home de prez, que s'en pod'alongar?



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General note:

Composição de género algo difuso, que poderemos classificar quer como cantiga de amor em tom de sirventês moral, quer como um sirventês moral de onde não está ausente o tom lírico da cantiga de amor. Esta segunda hipótese parece, aliás, mais justificada, uma vez que as considerações gerais sobre o estado do mundo são a matéria dominante ao longo composição, e apenas em parte da terceira estrofe encontramos, servindo de resposta à pergunta (retórica) do refrão, uma pequena referência ao amor e à senhor.



General note


Description

Género incerto
Refrão
Cobras singulares
Finda
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Manuscript sources

A 305

Cancioneiro da Ajuda - A 305


Musical versions

Originals

Unknown

Contrafactum

Unknown

Modern Composition or Recreation

Unknown