Pero da Ponte


Que mal s'este mundo guisou
de nulh'home per el fiar!
Nem Deus non'o quis[o] guisar,
pero o fez e o firmou;
5ante o quise destroir,
pois que dom Telo fez end'ir,
que sempre bem fez e cuidou
  
des quando naceu, e punhou
sempr'em bondade gaanhar
10e em seu bom prez avantar,
e nunca se d'al trabalhou.
E quem sas manhas bem cousir
pode jurar, por nom mentir,
que tôdalas Deus acabou.
  
15Mais a mim já esto leixou
com que me posso conortar:
que hei gram sabor de contar
do bem que fez, mentre durou;
e tod'home que mi oir,
20sempr'haverá que departir
em quanto bom prez del ficou.
  
E a dom Telo Deus x'o amou
pera si e x'o quis levar;
e nom se quis de nós nembrar,
25que nos assi desemparou.
E mailo fez por se riir
deste mal mund'e escarnir,
que sempre com aleiv'andou.
  
E quen'a bem quiser oir,
30que forte palavra d'oir:
"Dom Tel'Afons'ora finou!"



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Nota geral:

Pranto pela morte de D. Telo Afonso de Meneses, ocorrida em 1238.



Nota geral


Descrição

Pranto
Mestria
Cobras uníssonas
Finda
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Fontes manuscritas

B 988, V 576

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 988

Cancioneiro da Vaticana - V 576


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas