Pesquisa no glossário
  (linha 8)

Pero da Ponte


Pois de mia morte gram sabor havedes,      ←
senhor fremosa, mais que doutra rem,      ←
nunca vos Deus mostr'o que vós queredes,      ←
pois vós queredes mia mort'; e por en      ←
5       rog'eu a Deus que nunca vós vejades,      ←
       senhor fremosa, o que desejades.      ←
  
Nom vos and'eu per outras galhardias,      ←
mais sempr'aquesto rogarei a Deus:      ←
em tal que tolha El dos vossos dias,      ←
10senhor fremosa, e e[m] nada nos meus.      ←
       Rog'eu a Deus que nunca vós vejades,      ←
       senhor fremosa, o que desejades.      ←
  
E Deus [que] sabe que vos am'eu muito,      ←
e amarei enquant'eu vivo for,      ←
 15El me leix'ante por vós trager luito      ←
ca vós por mi; [e] por en mia senhor      ←
       rog'eu a Deus que nunca vós vejades,      ←
       senhor fremosa, o que desejades.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Falsa cantiga de amor, de notável musicalidade, que tem andado afastada do cancioneiro satírico, quando é aí que deve encontrar o seu lugar. Mantendo elementos característicos da cantiga de amor (nomeadamente o vocativo senhor fremosa), a composição é, na verdade, uma espécie de original contra-ataque aos desdéns de uma dona: se ela deseja a sua morte, o trovador pede a Deus, não só que nunca lhe dê tal prazer, como que seja ela a morrer primeiro (ou que seja ele a trazer luto por ela, na curiosa expressão utilizada na última estrofe).



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 984, V 571

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 984

Cancioneiro da Vaticana - V 571


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas