João Soares Somesso


Com vosso medo, mia senhor,
quer'eu agora começar
ũa tal rem que acabar,
se Deus quiser, nom poderei:
5ca provarei d'alhur viver;
e Deus nom m'en dê o poder,
des que m'eu de vós alongar!
  
Mais dê-mi a morte, mia senhor,
Deus! E nunca me leix'estar
10assi no mund'a meu pesar,
come já sem vós estarei,
(aquesto sei) des que viver
nom poder vosco, nem veer
o vosso mui bom semelhar!
  
15Ca [vos] nunca Deus, mia senhor,
eno mundo quis fazer par;
nem outrossi non'[o] quis dar
a esta coita que eu hei
e haverei, des que viver
20nom poder vosc'. E Deus morrer
me leix', u m'eu de vós quitar!



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, o trovador diz-lhe que, com medo dela, decidiu fazer algo que talvez não consiga levar até ao fim: ir morar para longe. E pede exatamente a Deus que, mal se afaste, não o consiga fazer, mas que o faça morrer logo ali, não o deixando viver sem ela. Porque a sua dor seria então tão incomparável como a beleza dela.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: (v. 1 de cada estrofe)
mia senhor
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 126

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 126


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas