Toponímia referida na cantiga:
  (linha 24)

João Airas de Santiago


Meu senhor rei de Castela,      ←
venho-me vos querelar:      ←
eu amei ũa donzela,      ←
por que m'ouvistes trobar;      ←
5e com quem se foi casar,      ←
por quant'eu dela bem dixi,      ←
quer-m'ora por en matar.      ←
  
Fiador pera dereito      ←
lhi quix perante vós dar;      ←
10el houve de mim despeito      ←
e mandou-me desafiar;      ←
nom lh'eu sei alá morar,      ←
venh'a vós que m'emparedes      ←
ca nom hei quem m'emparar.      ←
  
15Senhor, por Santa Maria,      ←
mandad'ante vós chamar      ←
ela e mim algum dia,      ←
mandade-nos razõar:      ←
se s'ela de mim queixar      ←
20de nulha rem que dissesse,      ←
em sa prisom quer'entrar.      ←
  
Se mi justiça nom val      ←
ante rei tam justiceiro,      ←
 ir-m'-ei ao de Portugal.      ←



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Nota geral:

Cantiga dirigida ao rei, certamente Afonso X, o que, neste caso, é um mero artifício retórico para uma divertida descrição dos bastidores do amor cortês: tendo-se casado a donzela que João Aires tinha cantado, o marido quer agora tomar desforra, perseguindo e ameaçando de morte o trovador. A solução será o rei arranjar um encontro entre ele e a dona: se ela então se queixar, João Airas está disposto a entrar voluntariamente na sua "prisão". Repare-se que uma das cantigas de Afonso X poderá ser uma resposta a esta.
Note-se a palavra perduda no penúltimo verso de cada estrofe.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares (rima b uníssona)
Palavra perduda: v. 6 de cada estrofe
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 966, V 553

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 966

Cancioneiro da Vaticana - V 553


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas