João Airas de Santiago


Que grave m'est ora de vos fazer,
senhor fremosa, um mui gram prazer,
ca me quer'ir longi de vós viver,
e venho-vos, por esto, preguntar:
5que prol há [a] mim fazer-vos eu prazer
e fazer a mim, senhor, gram pesar?
  
Sei que vos praz muito ir-m'eu daquém,
ca dizedes que nom é vosso bem
de morar preto de vós; e por en
10quero de vós que mi digades al:
que prol há a mim fazer eu vosso bem
e fazer a mim, senhor, mui gram mal?
  
Dizedes que mi havedes desamor
porque moro preto de vós, senhor,
15e que morre[re]des se m'eu nom for;
mais dizede, já que m'eu quero ir:
que prol há [a] mim guarir eu vós, senhor,
e matar mim, que moiro por guarir?
  
E vós guarredes sem mi, mia senhor,
20e eu morrerei des que vos nom vir.



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Nota geral:

Sabendo que, partindo e indo morar para longe, dará um grande prazer à sua senhora, o trovador pergunta-lhe: que proveito tirará ele desse prazer que lhe dá, se ele significa dar a si mesmo o maior desgosto? Se ela se poderá sentir muito melhor depois da sua partida, ele decerto morrerá.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Dobre: (vv. 2 e 5 de cada estrofe)
prazer (I), vosso bem (II), vós (III), senhor (IV)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 954/955, V 542

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 954/955

Cancioneiro da Vaticana - V 542


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas