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  (linha 10)

João Airas de Santiago


 Que grave m'est ora de vos fazer,      ←
senhor fremosa, um mui gram prazer,      ←
ca me quer'ir longi de vós viver,      ←
e venho-vos, por esto, preguntar:      ←
5que prol há [a] mim fazer-vos eu prazer      ←
e fazer a mim, senhor, gram pesar?      ←
  
 Sei que vos praz muito ir-m'eu daquém,      ←
ca dizedes que nom é vosso bem      ←
 de morar preto de vós; e por en      ←
10quero de vós que mi digades al:      ←
que prol há a mim fazer eu vosso bem      ←
e fazer a mim, senhor, mui gram mal?      ←
  
Dizedes que mi havedes desamor      ←
porque moro preto de vós, senhor,      ←
15e que morre[re]des se m'eu nom for;      ←
mais dizede, já que m'eu quero ir:      ←
que prol há [a] mim guarir eu vós, senhor,      ←
e matar mim, que moiro por guarir?      ←
  
E vós guarredes sem mi, mia senhor,      ←
20e eu morrerei des que vos nom vir.      ←



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Nota geral:

Sabendo que, partindo e indo morar para longe, dará um grande prazer à sua senhora, o trovador pergunta-lhe: que proveito tirará ele desse prazer que lhe dá, se ele significa dar a si mesmo o maior desgosto? Se ela se poderá sentir muito melhor depois da sua partida, ele decerto morrerá.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Dobre: (vv. 2 e 5 de cada estrofe)
prazer (I), vosso bem (II), vós (III), senhor (IV)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 954/955, V 542

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 954/955

Cancioneiro da Vaticana - V 542


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas