Rui Fernandes de Santiago


Id'é meu amigo daqui
e nom me quis ante veer,
e Deus mi tolha parecer
e quanto de bem há em mi,
5       se el vem e m'eu nom vingar
       quand'el quiser migo falar.
  
 E cuida-s'el que lhi querrei,
por esto que m'el fez, melhor,
mais log'el seja o senhor
10e eu sua, que nom seerei,
       se el vem e m'eu nom vingar
       quand'el quiser migo falar.
  
Que viss'eu que nom dava rem
el por mi, nom se m'espediu
15quando se da terra partiu,
mais logo me lh'eu que[i]ra bem,
       se el vem e m'eu nom vingar
       quand'el quiser migo falar.
  
E veerá mui bem o meu
20amigo quant'el ora fez,
a que lhi salrá esta vez,
ca em seu poder seja eu,
       se el vem e m'eu nom vingar
       quand'el quiser migo falar.
  
25Ca lhi nom querrei ascuitar
nulha rem do que m'el rogar.



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Nota geral:

Uma vez que o seu amigo partiu sem antes se despedir dela (e tendo-o feito de propósito, para atiçar o seu amor, fingindo que ela lhe seria indiferente), a moça jura que se irá vingar quando ele vier e lhe quiser falar.
Note-se, de qualquer forma, o jogo que o trovador faz com aquilo por que a moça jura: se na primeira estrofe ela diz "que Deus me retire toda a beleza e qualidades se eu não me vingar", nas restantes, as expressões de jura exprimem também os seus desejos (como, por exemplo, na 2ª estrofe, "que ele seja o senhor e eu seja sua se...").



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 928, V 516

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 928

Cancioneiro da Vaticana - V 516


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas