Pesquisa no glossário
  (linha 25)

Rui Fernandes de Santiago


Id'é meu amigo daqui      ←
e nom me quis ante veer,      ←
e Deus mi tolha parecer      ←
e quanto de bem há em mi,      ←
5       se el vem e m'eu nom vingar      ←
       quand'el quiser migo falar.      ←
  
 E cuida-s'el que lhi querrei,      ←
por esto que m'el fez, melhor,      ←
mais log'el seja o senhor      ←
10e eu sua, que nom seerei,      ←
       se el vem e m'eu nom vingar      ←
       quand'el quiser migo falar.      ←
  
Que viss'eu que nom dava rem      ←
el por mi, nom se m'espediu      ←
15quando se da terra partiu,      ←
mais logo me lh'eu que[i]ra bem,      ←
       se el vem e m'eu nom vingar      ←
       quand'el quiser migo falar.      ←
  
E veerá mui bem o meu      ←
20amigo quant'el ora fez,      ←
a que lhi salrá esta vez,      ←
ca em seu poder seja eu,      ←
       se el vem e m'eu nom vingar      ←
       quand'el quiser migo falar.      ←
  
25Ca lhi nom querrei ascuitar      ←
nulha rem do que m'el rogar.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

Uma vez que o seu amigo partiu sem antes se despedir dela (e tendo-o feito de propósito, para atiçar o seu amor, fingindo que ela lhe seria indiferente), a moça jura que se irá vingar quando ele vier e lhe quiser falar.
Note-se, de qualquer forma, o jogo que o trovador faz com aquilo por que a moça jura: se na primeira estrofe ela diz "que Deus me retire toda a beleza e qualidades se eu não me vingar", nas restantes, as expressões de jura exprimem também os seus desejos (como, por exemplo, na 2ª estrofe, "que ele seja o senhor e eu seja sua se...").



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 928, V 516

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 928

Cancioneiro da Vaticana - V 516


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas