Rui Fernandes de Santiago


Esta senhor, que ora filhei
grave dia, vedes que faz:
porque lh'agrav'ou lhi nom praz
do que com ela comecei,
5       assanha-s'ora contra mi
       e pero faz seu prazer i.
  
E bem pode saber que nom
meresco eu desta sanha rem,
ergo se lhi quero gram bem;
10e pero nom há i razom,
       assanha-s'ora contra mi
       e pero faz seu prazer i.
  
Bem vos digo que ante m'eu
queria já siquer matar
15ca lhi fazer nẽum pesar;
mais ela bem assi de seu
       assanha-s'ora contra mi
       e pero faz seu prazer i.
  
E poilo quer fazer assi,
20nom sei eu que seja de mi.



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Nota geral:

O trovador queixa-se do comportamento da sua (nova) senhora: desgostada com o serviço que ele lhe vota, zanga-se com ele e não age de maneira razoável. Atitude que ele não merece, garante, até porque preferiria matar-se a causar-lhe qualquer pesar. Mas visto que ela quer agir assim, conclui na finda, não sabe o que será dele.
Note-se o tom de divertida exasperação que o trovador adopta, e que diferencia a cantiga do registo habitualmente grave da cantiga de amor.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 911, V 498

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 911

Cancioneiro da Vaticana - V 498


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas