Pesquisa no glossário
  (linha 7)

Rui Fernandes de Santiago


A dona que eu quero bem      ←
tal sabor hei de a veer      ←
que nom saberia dizer      ←
camanh'é; pero nom é sem,      ←
5       poila end'eu mais desejo      ←
       sempre, cada que a vejo.      ←
  
 Pero que hoje no mund'al      ←
que tanto deseje nom há      ←
como d'ir u a possa já      ←
10veer, non'a veer mais val,      ←
       poila end'eu mais desejo      ←
       sempre, cada que a vejo.      ←
  
Se a nom vir, nom haverei      ←
[nunca] de mim nem d'al sabor;      ←
15se a vir, haverei maior      ←
coita, mais por que o farei?      ←
       Poila end'eu mais desejo      ←
       sempre, cada que a vejo.      ←
  
Esto soo nom é d'oir:      ←
20que eu já sempr'esta molher      ←
nom veja, cada que poder,      ←
pero devia-lhe fogir,      ←
       poila end'eu mais desejo,      ←
       sempre, cada que a vejo.      ←



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

O trovador está dividido: se sente um enorme prazer em ver a dona que ama, sente que é insensato vê-la, pois quanto mais a vê mais a deseja. Valeria mais a pena, pois, não a ver; mas, se a não vê, perde qualquer gosto na vida. De modo que, como conclui na última estrofe, não dá para acreditar (na sua própria insensatez): vê-a sempre que pode, quando deveria fugir-lhe.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 910, V 497

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 910

Cancioneiro da Vaticana - V 497


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

[A Dona Que Eu Quero Bem] 

Versão de Tomás Borba