Rui Fernandes de Santiago


Ora mi o tenham a mal sem,
ca nom leixarei a trobar,
nem a dizer, eno cantar
que eu fezer, o mui gram bem
5       que vos eu quero, mia senhor,
       e querrei, mentr'eu vivo for.
  
Vós, quant'eu poder, negarei
que nom sode'la que eu vi
- que nom visse!, ca des ali
10fui sandeu; mailo bem [direi]
       que vos eu quero, mia senhor,
       e querrei, mentr'eu vivo for.
  
Bem tenh'eu que m'estranhará
esto de vós, poilo disser,
15mais será o que Deus quiser,
ca o bem a dizer é já:
       que vos eu quero, mia senhor,
       e querrei, mentr'eu vivo for.
  
E bem pod'ũa rem creer
20quem me desto quiser cousir:
que nunca m'en pode partir
que o bem nom haja a dizer:
       que vos eu quero, mia senhor,
       e querrei, mentr'eu vivo for.
  
25Ca nom querrá Deus, nem Amor,
que vo-l'-eu nom queira, senhor.



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Nota geral:

Embora possam achar insensato e criticá-lo por isso, o trovador declara à sua senhora que não deixará de trovar, dizendo num cantar o grande amor que sente por ela. Se bem que nunca revele a sua identidade e negue mesmo que seja aquela que ele conheceu, esse cantar irá fazer (ou está a fazer). Sabendo, de resto, que eventualmente esta declaração a afastará dele, nem por isso desistirá.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 909, V 496

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 909

Cancioneiro da Vaticana - V 496


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas