| | | João Mendes de Briteiros |
|  | | | Eia, senhor, aque-vos mim aqui! |  | | | Que coita houvestes, ora, d'enviar | | | | por mim? Nom foi senom por me matar, |  | | | pois todo meu mal teedes por bem: |  | 5 | | por en, senhor, mais val d'eu ir daquém |  | | | ca d'eu ficar, sem vosso bem fazer, | | | | | | de mais haver esses olhos veer | | | | e desejar o vosso bem, senhor, |  | | | de que eu sempre foi desejador; | | 10 | | e meus desejos e meu coraçom |  | | | nunca de vós houveram se mal nom; |  | | | e, por est', é milhor de m'ir, par Deus, | | |  | | | u eu nom possa poer estes meus | | | | olhos nos vossos, de que tanto mal |  | 15 | | me vem, senhor; e gram coita mortal | | | | me vós destes eno coraçom meu; |  | | | e, mia senhor, pero que m'é mui greu, |  | | | nulh'home nunca mi o [e]straĩará. | | | | | | E, pois m'eu for, mia senhor, que será? | | 20 | | Pois mi assi faz o voss'amor ir já, |  | | | como vai cervo lançad'a fugir. |
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| Nota geral: Mais uma composição bastante original de João Mendes de Briteiros, uma originalidade que se nota em particular no verso de abertura e no verso final. Apresentando-se (de forma exclamativa) perante a sua senhora, como que respondendo prontamente à sua chamada, o trovador mostra-se surpreendido por essa mesma chamada, e pergunta-lhe se o motivo não terá sido apenas o de o matar, dando-lhe a ver os seus belos olhos, dos quais nunca recebeu senão mal. E assim, o melhor será afastar-se deles e partir de novo, rumo a um destino incerto como cervo lançado [ferido de lança] a fugir. Para além da beleza desta expressão, note-se que ela, sendo estranha ao vocabulário habitual das cantigas de amor, parece retomada do belíssimo ciclo de cantigas de amigo de Pero Meogo, surgindo, quase textualmente, nesta cantiga em particular. Note-se ainda que, tal como numa anterior composição do trovador, também aqui as estrofes são capcaudadas (ou seja, a rima do último verso de cada estrofe é retomada no primeiro verso da seguinte).
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Nota geral
Descrição
Cantiga de Amor Mestria Cobras singulares Palavra perduda: vv. 1 e 6 de cada estrofe Ateúda atá finda Finda (Saber mais)
Fontes manuscritas
B 861, V 447 
Versões musicais
Originais
Desconhecidas
Contrafactum
Desconhecidas
Composição/Recriação moderna
Desconhecidas
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