Mem Rodrigues de Briteiros


Veerom-me meus amigos dizer
d'ũa dona, porque lhi quero bem,
que lhi pesava mui de coraçom,
des i que lh'er pesa de a servir;
5dix'eu: – Amigos, bem pode seer;
mais, quer lhi pês, quer lhi praza, já nom
me poss'end'eu per nulha rem partir.
  
E dizem-me, por que me chamo seu,
que lhi pesa e que me quer gram mal;
10e mui doado lh'ende pesará;
e, amigos, verdade vos direi:
e pero que sei que lh'ést[e] mui greu,
quer lhi pês, quer lhi praza, ende já,
se morto nom, nunca m'en partirei.
  
15E da gram coita que me faz levar
pesar-lh'-á end'e de que ando sandeu;
pero ela mais nom cuida de mi,
nem de meu mal, nem de meu grand'afã
(e bem vej'eu que lhi faç'i pesar):
20quer lhi pês, quer lhi praza, or'assi
seerá já sem meu grado, de pram.



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Nota geral:

Ouvindo dizer a uns amigos que uma senhora de quem gosta se sentia sinceramente desgostosa com este amor, o trovador responde-lhes que é bem possível, mas que, quer ela goste ou não, infelizmente nada pode fazer para o evitar,
Note-se que, não sendo esta uma cantiga de refrão, os dois últimos versos de cada estrofe, sendo variações da mesma frase, desempenham quase esse papel.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Palavra perduda: v. 2 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 858, V 444
(C 858)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 858

Cancioneiro da Vaticana - V 444


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas